Intercâmbio na Finlândia
Muitas coisas me passaram pela cabeça durante a viagem em direcção à Finlândia, mas a coisa que mais temia era o primeiro dia de aulas, não sabia como iria ser, como as pessoas iriam reagir, sabia perfeitamente que toda a gente ia passar a próxima semana a olhar para mim, mas não era disso que tinha medo, e sim de não ser aceite. Mas não há nada a temer, pois os jovens Finlandeses têm uma mente muito aberta, são simpáticos e apesar de muito tímidos, eles têm bastante interesse em conhecer a minha cultura. Por isso, com isto dito, o meu primeiro - e acredito que dos únicos -  medos em relação ao intercâmbio tinha sido eliminado, fiz amigos muito facilmente.

Eu acredito que o segredo é mesmo não ser tímido, e dar o primeiro passo, pois temos de ser nós os estudantes de intercâmbio a normalmente ter de falar primeiro com as pessoas para conseguir fazer amigos, por isso foi isso que eu fiz. No início era um bocado dificil, mas após umas semanas ou até dias já falava com imensa gente, já tinha bastantes amigos, e pessoas interessadas em conhecer a minha cultura...

Em relação à família, no meu caso, quando cheguei ao aeroporto e os vi demos um abraço e fomos em direcção ao carro. Tivémos uma viagem de 3 horas até à minha nova casa, e durante essa viagem, não houve um momento de silêncio, o que me fez sentir como se já nos conhecêssemos há imenso tempo... Vivo com os meus pais de acolhimento e a minha irmã, mas tenho mais 3 irmãos que já vivem fora de casa. Adoro a minha família, fazemos imensas coisas juntos, e normalmente vejo dois dos meus irmãos todos os fim-de-semana, onde vamos para a Sauna, e em seguida, vamos para o lago gelado, e metemo-nos lá dentro, e tenho que dizer que é uma das melhores coisas que já fiz na minha vida...

Lembro-me que as primeiras semanas foram muito mas muito cansativas, mas nem isso me impediu de fazer tudo o que me sugeriam para fazer, usei sempre aquelas últimas energias, e não me arrependo nada, porque para além de ter feito imensas coisas divertidas e que nunca tinha feito, também tinha excelentes noites de sono devido aquelas últimas energias que decidi usar para fazer algo com a minha família ou amigos!

Em menos de um mês sentia-me em casa, tinha e tenho uma excelente relação com a minha família, fiz imensas amizades, visitei e vi coisas lindas, como as famosas auroras boreais, tive experiências espectaculares, sentia-me feliz, poderia dizer que não me faltava nada, estava a viver o meu sonho.

Em relação à comida, eu meti na minha cabeça que iria comer tudo e não iria recusar ou dizer que não gostava de algo, e digo com todas as certezas que é a melhor coisa que pude fazer, pois acabei por me aperceber que afinal gostava de certos alimentos que em Portugal sempre disse que não gostava, e em segundo faço de certa forma a minha família de acolhimento feliz.

Na escola tenho tido bons resultados, e é de facto um prazer poder estudar num dos melhores se não o melhor sistema de ensino do mundo. O computador faz parte de muitas aulas, e cada aula é de 75 minutos. O almoço nas escolas é servido às 11 da manhã e é de graça para todos os estudantes. De facto uma organização excepcional em geral na escola.

Agora estou aqui há pouco menos de 5 meses e tenho a dizer que nada mudou. Continuo a ter uma experiência incrível, continuo a fazer e a experimentar coisas que nunca pensei em fazer, jogo hóquei no gelo de vez em quando com amigos e, apesar de não ser muito bom, há cerca de um mês comecei a fazer snowboard. Neste momento digo seguramente que é o meu desporto favorito, simplesmente adoro. Os mergulhos no lago gelado já faz parte dos meus fins-de-semanas. A neve faz com que as noites sejam um pouco mais claras, com céus de noite onde consigo observar todas as constelações e as mais belas luzes do norte, e as manhãs com os mais incríveis nasceres-do-sol... As amizades que criei e os sítios que tive a oportunidade de ver... O frio cujo eu já me habituei, e já pude experienciar -30 graus, é algo como eu costumo dizer para mim, "é como um frigorífico para humanos", é uma coisa totalmente diferente, e pelo facto de estar habituado, quando está -5 graus eu ando com o casaco aberto, e apenas uma camisola debaixo do casaco.

Isto é a minha experiência e acredito que maior parte dos estudantes podem ter uma experiência como a minha ou melhor. Só acho que o mais importante é entrar no intercâmbio com uma mente aberta e sempre pronto para sair da tua zona de conforto, fazer coisas que não gostamos, e afinal descobrimos que até gostamos, não ser tímido, aproveitar o teu ano de intercâmbio da melhor maneira e respeitar a cultura do país... Esta é a chave para uma boa experiência na minha opinião.

David Santos | Estudante AFS Portugal 2016/2017 | Portugal - Finlândia



Nem sei por onde começar. As emoções são tantas na minha cabeça que é difícil ter a consciência a 100% para escrever uma frase.

Estou no primeiro mês em Salerno, Itália e não vou dizer que isto é fácil porque não é, é tudo menos fácil no início. Mas são estes pequenos momentos difíceis que nos dão força para superar estes desafios e obstáculos, são estas mínimas dúvidas e maus dias que nos fazem ser resistentes para esta experiência.

A nossa mente começa a raciocinar e a ver tudo de uma maneira diferente, e isto só na primeira semana. Começamos a dar valor a coisas que nunca dávamos no nosso país de origem, como simples gestos ou maneiras de comportar.

Acho interessante o facto das pessoas no geral porem estereótipos em diferentes países a partir do que veem em filmes, ou leem em livros. De um modo geral, muita gente acha que os italianos são parecidos connosco, portugueses, mas sendo eu uma estudante portuguesa a viver em Itália digo com toda a sinceridade possível que não podiam estar mais enganados. Quando entramos nesta cultura, a viver os mesmos hábitos e a fazer as mesmas rotinas que simples italianos fazem, começamos a compreender que é tudo diferente, desde a maneira de cumprimentar pessoas, a ter um ensino diferente e até mesmo à sua maneira de comer.

Para finalizar, não poderia estar mais grata por esta experiência, que apesar de todas as minhas dificuldades me proporciona uma nova maneira de ver o mundo, de ver as pequenas diferenças que um país tão perto do meu tem, e sobretudo ter uma mente mais aberta no que toca a contrastes culturais, todos estes aspectos que me fazem crescer a cada dia que passa.

Laura Peres | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – Itália



Hi! Sou a Maria e estou a fazer o meu ano de intercâmbio nos Estados Unidos, no estado de Iowa, há quase 1 mês! Tanto parece que estou aqui há imenso tempo como parece que acabei de chegar. É tudo novo e existem tantas coisas diferentes, mas passa tudo muito depressa. Está a ser uma experiência incrível! Estou a viver numa cidade "pequena" mas que tem tudo super perto, estou literalmente no meio do campo e isso torna a experiência ainda melhor! Tenho uma família grande, 4 irmãos, 1 cão e 15 galinhas!

Todos os dias vou para a escola no típico "yellow bus". As aulas começam as 8:30 e acabam as 15:30. Adoro a minha escola, tem umas condições fantásticas. As disciplinas são acessíveis e estou a ter boas notas. Os testes são na maioria o típico teste americano de cruzinhas. Aqui temos "fun classes" por exemplo, eu tenho "Foods", já cozinhei imenso! E também tenho comido imenso. Adoro tudo, principalmente os “snacks” entre as refeições! Vou sair daqui uma bolinha. Também já sou uma especialista em abrir cacifos, é obrigatório deixar sempre a mochila no cacifo e os livros que vamos precisando vamos tirando. As aulas são de 45 minutos e temos as mesmas disciplinas todos os dias e desporto todos os finais de tarde. Estou na equipa de “Cross Country” e corro todos os dias 5km no meio dos campos de milho! É um pouco cansativo mas aqui tenho feito muitos amigos porque fazemos imensas atividades em equipa.

Antes achava que falava bem inglês mas assim que cheguei percebi que não, mas tenho apreendido imenso e todos os dias sinto que estou melhor. Está a ser uma experiência fantástica e mal posso esperar pelos próximos meses!

Maria Sampaio | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – EUA



Já estou na Suíça há um mês e meio. Nem consigo acreditar. Não é que tenha passado tudo rapidamente. Os dias demoram muito tempo a passar, mas quando olho para trás vejo que tudo passou tão rápido.

Estou rodeada de novidades! Algo tão simples como apanhar o autocarro torna-se uma aventura. Todos os dias tenho o estômago aos saltos só de pensar nas novidades que me esperam.

A Suíça é lindíssima. Quando cheguei só via verde e verde por todo o lado. Agora no Outono as árvores começam a mudar de cor e é uma beleza. Para quem vem da cidade mais plana de Portugal, as montanhas são uma novidade deslumbrante. Gosto sempre de ir caminhar pelo meio da floresta e apreciar a vista de cima.

Claro que não é tudo beleza e felicidade. O alemão é desafiante. E aprendê-lo enquanto estou rodeada por um dialecto, dificulta um pouco. Claro que não vou deixar isso desanimar-me. Este ano é um desafio, e eu estou pronta para isso.

A Suíça é mesmo mais organizada. Não é só estereótipo. Já tive de fazer muitas mudanças à forma como me comporto com os horários e os compromissos, todas no bom sentido.

A escola tem sido muito frustrante e um pouco aborrecida, pelo simples facto de eu ainda não perceber bem a língua. Adoro a minha família de acolhimento. Estão sempre disponíveis a ajudar e compreendem as minhas dificuldades, visto que sou a terceira estudante que recebem. Ajudam-me imenso com a aprendizagem da língua e da cultura.

Sendo a Suíça parte da Europa, não sinto uma diferença cultural muito grande, porque não é tão facilmente visível a olho nu. No entanto, sinto essa diferença a todo o momento. Está sempre lá para me relembrar que estou a aprender.

Não sei muito mais que dizer. Quero só agradecer, do fundo do coração à minha mãe e ao meu pai e à minha família inteira por me apoiarem e me darem esta oportunidade. Obrigada a todas pessoas que já conheci e vou conhecer por fazerem parte deste ano tão importante da minha vida. E claro, à AFS e intercultura de Portugal e da Suíça por me ajudarem a ver o mundo e me prepararem para este momento.

Meu Deus, parece que já acabou, mas ainda nem vai a meio. Ainda tenho muito mais para ver e aprender.

Helena Pinto | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – Suíça



Testemunho parte I
Para começar queria só deixar muito claro que esta experiência é um grande desafio, estou aqui há praticamente 3 semanas e posso garantir que foram as mais difíceis da minha vida.

Apesar de o italiano ser parecido com o português, o esforço que é preciso para perceber tudo e também falar é enorme, o que faz com que esteja constantemente cansada. Mas apesar do cansaço, tenho que continuar a fazer a minha vida normal e esforçar-me para fazer coisas com a minha família e os amigos que fiz até agora. A língua para mim não tem sido um obstáculo muito grande porque estou a aprender italiano muito rapidamente e neste momento já percebo praticamente tudo e falo razoavelmente bem o que facilita a minha vida aqui.

Na minha opinião, o objetivo desta experiência é conhecermos uma realidade diferente da que estamos habituados (o que nos torna mais tolerantes com o mundo à nossa volta) e penso que pelo menos a minha experiência está a cumprir o objetivo que eu queria. Estou num sítio completamente diferente de Lisboa, tanto no tamanho (o sítio onde estou tem 9mil habitantes) como nos costumes o que acho que está a ser bom para mim. Além de que estar afastada da minha vida normal fez-me ficar a conhecer melhor quem sou e admito que já me perguntei muitas vezes porque é que decidi fazer isto e que o que estou a fazer é uma loucura. Mas a realidade é que a oportunidade que é esta experiência faz com que todas as dúvidas se desvaneçam.

A minha família de acolhimento também ajuda muito, em 3 semanas criei uma ligação com eles que não passa pela cabeça a ninguém, já são família para mim. A verdade é que apesar de todas as dificuldades que já passei e que sei que ainda vou passar, estou muito feliz aqui.

Testemunho parte II
Há um ano atrás, mais ou menos por esta altura decidi que queria fazer uma experiência AFS. Mal sabia o que me esperava... Parecia uma coisa longe no futuro mas que eu sabia que ia mudar a minha vida. Os meses foram passando e acabei por mudar a duração da minha experiência de 1 ano para 3 meses, coisa que neste momento me arrependo.

Enfim finalmente chegou o dia da partida... Estava nervosa, ansiosa e com medo. Não só por deixar a minha família e amigos mas também por não saber o que me iria esperar no momento em que apanhasse aquele avião. Agora passados quase 2 meses desse dia percebo que não tinha razões para ter medo. Itália é um país fantástico que eu não quero deixar. Tenho uma família de acolhimento espetacular que não me imagino a deixar em pouco mais de 1 mês... São pessoas completamente diferentes de mim mas com valores bastante parecidos com os meus o que facilita a nossa relação. São pessoas incríveis que realmente me fazem sentir parte desta família, dizem-me que sou a sua 3ª filha e tratam-me como tal. Venho certamente visitá-los...

No início não foi fácil fazer amigos, mas à medida que vou ficando mais à vontade com o italiano torna-se cada vez mais fácil. Costumo sair com eles à tarde e à noite e divirto-me imenso! A parte mais complicada é a escola que apesar de conseguir falar bem italiano e de perceber as conversas, nas aulas é bastante difícil. Os professores falam muito rápido por isso para além do esforço para perceber a matéria, também tenho que estar super concentrada para perceber as palavras, as frases e o sentido que fazem.

Este é um resumo da minha vida aqui em Minervino Murge, uma cidade que nem sabia que existia mas que estou muito feliz e agradecida por existir... Sinto que com esta experiência cresci imenso como pessoa e que estou completamente diferente. Sou agora uma pessoa mais tolerante e aberta a coisas novas, uma pessoa mais forte que não desiste perante as dificuldades. Sinto-me mais completa do que alguma vez me senti na minha vida... Parece que vivo aqui há muito mais de 2 meses, já nem imagino voltar para a minha vida em Portugal, parece irreal. Enfim, isto tudo para dizer que é uma experiência incrível que aconselho todos a fazerem.

Mariana Faden | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – Itália



Faz hoje 2 semanas que cheguei à Dinamarca e que iniciei um novo ciclo da minha vida. Passaram apenas 15 dias e como tal estou em pleno choque cultural. Tudo aqui é diferente de Portugal, desde as paisagens, a comida, as pessoas, até aos mais pequenos detalhes, como o facto de deixarem imensas vezes a porta de casa aberta, de tirarem os sapatos antes de entrar em casa, e até mesmo não usarem guardanapos nas refeições. Mas apesar de todas estas diferenças estou a adorar cá estar. A minha família de acolhimento é incrível e tratam-me como um membro da família, o que me faz sentir muito bem. Sinto que têm uma vontade enorme de conhecer também a minha cultura e como tal, nada melhor que a nossa gastronomia. Cozinho comida portuguesa uma vez por semana. Na 1ª semana presentei-os com um arroz de feijão e uns panados de peru, mas já tenho um Bacalhau à Brás prometido para breve. Na escola ainda não sinto que estou 100% integrada mas aos poucos as pessoas vão-se abrindo cada vez mais e deixam para trás a timidez e o receio de falar comigo. Os professores são também fantásticos e tentam sempre integrar-me nas aulas de modo a que eu consiga acompanhar os meus colegas.

Tak Danmark.

Catarina Araújo | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – Dinamarca



(Antes de começar, uma pequena introdução: estou a fazer o 12º ano nos Estados Unidos, numa pequena cidade chamada Quarryville na Pensilvânia).

E assim se passaram quase 2 meses, num instante! Não há palavras para descrever tudo o que tenho passado nestas semanas, mas prometo que me vou esforçar.

Começando pelo princípio, as despedidas de Portugal. Foi sem dúvida o que mais me custou. Queria tanto vir mas ao mesmo tempo não queria deixar os meus queridos pais e os meus amigos para trás. Foi preciso muita coragem, admito. Depois disso, não me custou nada. Só queria chegar e conhecer a minha família de acolhimento. No dia em que eles me foram buscar foi uma emoção!! Estava cansada mas muito feliz, e até agora a adaptação cá em casa não tem sido nada complicada. Os meus pais de acolhimento são muito queridos e compreensivos comigo, temos construído uma ótima relação e o mesmo com a minha irmã, que tem 15 anos (a minha outra irmã tem 19 anos e está na Alemanha a viver com a família que a acolheu quando fez o Programa AFS em 2014/2015).

Em relação à escola, durante as aulas não há muito tempo para fazer amigos, e entre as aulas só temos 4 minutos para mudar de sala, mas o drama de não saber com quem me sentar ao almoço não o tive, porque comecei a jogar ténis na equipa da escola antes das aulas começarem e conheci logo algumas pessoas.

Posso dizer que estou a adorar, e do fundo do coração estou muito feliz aqui! Não vou dizer que todos os dias são fáceis e divertidos, não são. Tenho dias em que só penso nos meus pais e nos meus amigos, e tenho vontade de chorar. Mas apercebi-me de uma coisa: não tem mal nenhum chorar. No outro dia tivemos jogo de ténis, e o meu dia não estava a correr nada bem e quando estávamos a aquecer só pensava na minha mãe e na força que ela me ia dar se ali estivesse. Mas não estava, e isso fez-me ir abaixo. Todas as pessoas que ali estavam se preocuparam comigo, toda a gente me compreendeu e toda a gente admira a minha força e coragem. E isso é muito bom sentir! A minha mãe de acolhimento foi incrível comigo nesse dia, como é sempre.

Manter-me ocupada é o segredo! Quando não estou em casa e não tenho internet nem me lembro que tenho uma vida em Portugal, porque todos os momentos aqui são vividos muito intensamente. Desde os jogos de “American football”, a comida (sim, a comida é a melhor parte), as idas à igreja (muito diferente), as pessoas sempre a quererem saber mais sobre nós, as novas amizades, e uma coisa muito importante: a autodescoberta. Tenho tido a oportunidade de conhecer pessoas incríveis com experiências de vida totalmente diferentes da minha, mas também a oportunidade de me descobrir a mim própria. Ser a pessoa que quiser ser, ser eu mesma, gostar de coisas que não sabia que gostava, fazer coisas que nunca pensei fazer, viver experiências e emoções pelas quais nunca passei antes.

Mal posso esperar pelos próximos meses, vamos ver para o que é que a vida me guardou!!

Teresa Sousa | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – EUA



Chamo-me João, tenho 17 anos e faz hoje 13 dias desde que parti para a minha aventura na Áustria.

Posso dizer que estou bastante impressionado com a cultura austríaca e com o meu modo de vida neste momento, ou, por outras palavras, estou a adorar.

Sou de Lisboa, sempre vivi num meio em que conheci muitas pessoas diariamente e sempre com o movimento da cidade presente. Antes de chegar, já tinha o conhecimento de onde eu iria estar na Áustria, não seria nada semelhante ao que eu estava habituado! Por exemplo, um meio rural longe da minha escola, uma família de acolhimento com quatro irmãos, uma vivenda com jardim; o que me fez ficar ainda com maior força para enfrentar este desafio.

Mal cheguei, fui muitíssimo bem recebido tanto pela parte dos cidadãos austríacos como pela minha família de acolhimento, senti-me bem instalado e sem qualquer medo de enfrentar os seguintes 10 meses. Mal cheguei, apanhei uma constipação, é verdade. No verão, as tardes são bastantes quentes, mas tanto as noites como as manhãs, arrisco-me a dizer que são frias!

Eu queria um desafio e estou a tê-lo, a aproveitar um dia de cada vez com o maior sorriso na cara, mesmo que tenha abdicado de imensas coisas em Portugal que me esperavam durante o ano seguinte, mas esta é a minha definição de "viver", nunca esquecendo as minhas origens!

Ainda só estou no início da minha jornada e parece que já passaram meses!

João Nunes | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – Áustria



Ahoj,

Já faz três semanas que estou a viver a maior aventura da minha vida, longe da minha zona de confronto. Ao início, estava um bocado ansiosa, nervosa… Era como se todos os sentimentos me passassem pela cabeça… Mas o AFS é mesmo isso saber lidar com todas as dificuldades que nos são impostas.

Estou no meio de uma família de rapazes, tenho três irmãos de acolhimento, mas dois deles estão a fazer o Programa Anual da AFS, pelo que durante a semana estou apenas com os pais e ao fim-de-semana o mais novo vem a casa. Faço coisas que nunca fiz em Portugal o que acho ótimo, pois faz-me crescer.

Eu não era muito de desporto, mas desde que cheguei aqui tenho corrido todas as semanas. A primeira vez que entrei em casa tive de tirar os sapatos, o que para mim foi algo diferente e estranho.

Estou a viver no norte da República Checa, numa pequena cidade chamada Vrchlabi, muito próximo de estâncias de ski. Assim uma vez que estava bom tempo, logo no segundo dia tive a minha primeira aventura pelas montanhas, fomos a Benecko. Gostei muito, mas os dois quilómetros pareciam uns 100km.

A realidade é que no fim-de-semana passado subimos a maior montanha daqui, com 1602m de altura e já não me custou tanto. A montanha faz fronteira com a Polónia. Acordo todos os dias às 6h para apanhar o autocarro para a escola às 7:10, demoro cerca de 15 minutos a chegar à paragem. Depois quando chego à escola, tiro os sapatos e calço as minhas pantufas, tenho de admitir que ao início foi um bocado estranho para mim. Tenho de subir três andares até chegar a sala, esta é sempre a mesma. Quando o professor entra na sala todos se levantam até este nos mandar sentar e temos de dizer sempre ”Dobry Den”(bom dia).

Em Portugal estou em Ciências, aqui não tenho a possibilidade de escolher pois todos temos as mesmas disciplinas. Os primeiros dias de aulas são muito complicados, uma vez que não se percebe nada, mas nós temos de arranjar estratégias para que isso não nos perturbe. No meu caso todos os dias se senta um colega diferente ao meu lado. Estou a aprender checo todos os dias, com o meu pai de acolhimento e ele aprende inglês comigo.

Aqui aos 15 anos todos os jovens vão aprender danças clássicas, sendo que eu todas as sextas tenho aulas de dança. Eu fico sempre nervosa, visto que estou no meio de 100 miúdos checos e sou a única que não falo a língua e que não percebe nada de que os professores dizem. Assim na aula passada, o professor veio ter comigo e explicou-me os passos em inglês. Depois irei apresentar a dança vestida com um vestido branco, como se de uma noiva se tratasse.

Estou realmente a adorar a experiência e não a trocaria por nada deste mundo. Obrigada pela oportunidade. Vem tu também viver a aventura da tua vida!!!!

Carlota Rosete | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – República Checa



E um mês se passou. Um mês na Costa Rica. Ainda ontem não sabia o que meter na mala. O melhor conselho que posso dar? Venham. E venham com tudo. Com toda a roupa que pensam que precisam? Não. Acreditem que não vão precisar de metade. Mas com toda a alma? Sim.

Estejam abertos a novas possibilidades e ideias. Não pensem que vai ser um paraíso todos os dias, porque não vai. Mas façam tudo ao vosso alcance para que assim seja. Sejam muito felizes. Aproveitem tudo. Experimentem tudo.

Para as pessoas que estiverem a pensar vir para a Costa Rica para o ano: tragam roupa fresca. E esqueçam lá os casaquinhos de malha, mães e avós. Aqui os vossos filhos e netos vão estar cobertos por um manto de humidade, a toda a hora. Não vão precisar disso.

O que é que eu posso contar sobre a minha experiência neste país “chiquitito”? Tantas coisas! Vi uma preguiça no meio da rua. Vi baleias. Nadei em água quente. Fui roubada por macacos. Aprendi que é normal, e até benéfico, ter lagartos à solta dentro de casa. Vi aranhas, sapos, caranguejos, lesmas, e tudo e mais alguma coisa de todas as cores e mais algumas. Isto tudo e já sei falar espanhol. Ou pelo menos, consigo fazer-me entender bem. E só se passou... Um mês. E ainda faltam mais dez destes. Mas passa a correr. Claro que não é tudo um mar de rosas. Também chorei. Muito. Ao despedir-me, quando cá cheguei, quando vim para a minha família de acolhimento... E depois há sempre aquela marcação semanal de “Saudades” que não escapa.

No último mês em Portugal ainda não me acreditava que isto ia mesmo acontecer. Na última semana tinha demasiadas coisas para fazer, o que nem sequer me permitia parar e pensar nisso. No último dia estava mais que entusiasmada. Na última noite... Nervosa. No primeiro dia cá… Quis voltar para Portugal. E isto aconteceu com quase todos os amigos maravilhosos que eu fiz a partir da AFS. Faz parte.

Tanto os de Portugal que estão noutros países, como os dos outros países que estão comigo na Costa Rica, passaram por esta fase horrível e quiseram, pelo menos uma vez, voltar para casa e para a zona de conforto. Mas não voltaram. E se ao fim de um mês formos perguntar a cada um deles se se arrependem de ter vindo… Espero que saibam qual é a resposta. Não? Então eu digo-vos. Não. Não me arrependo. Nem um bocadinho. Custa. Não vou mentir. Custa muito. Cada dia parece um ano e demora a passar, mas depois olhamos para trás e já se passou um mês. É uma oportunidade que muitas crianças e adolescentes desejavam ter e não podem. Pensar em desistir deixa-me com mais e mais vontade de continuar. A vida é feita de altos e baixos, e às vezes quando estamos em baixo não conseguimos esperar os altos. Mas a verdade é que eles existem, e vão acontecer.

Outro conselho? Dêem tempo ao tempo. Não ajam por impulsos e desistam do melhor ano das vossas vidas só porque tiveram um mau dia ou uma má semana. Vai ser mais difícil do que esperaram, e quando assim for, recorram aos amigos que fizeram, que estão na mesma situação, e que vos adoram.

Só eu sei o quão agradecida estou por ter encontrado a AFS, que agora é mais uma família que eu tenho, e por ter ganho esta bolsa que me deu acesso a esta oportunidade. A minha família de acolhimento trata-me como mais uma. Tenho a certeza que, mesmo depois de a experiência acabar, esta vai ser a minha outra casa. Os amigos que fiz vou levar para o resto da minha vida. Cresci e vou crescer ainda mais.

Sim, as saudades são muitas de Portugal. Da minha família, dos meus gatos, do meu peixe, da minha tartaruga, e dos meus amigos. Mas a vida não pára, e temos que aproveitar o melhor que sabemos enquanto temos a oportunidade para o fazer. Viver na zona de conforto não é viver, é sobreviver.

Cada experiência é uma experiência, mas eu estou aqui para partilhar a minha convosco. Falem comigo se precisarem, procurem-me no YouTube e sigam em primeira mão o que se anda a passar comigo neste país que agora também é meu.

Inês Aguiar | Estudante AFS 2016/2017 | Portugal – Costa Rica



A afs não é apenas 3, 6, nem 10 meses. A afs é antes de irem, durante a experiência, e o depois. Pois bem, deixem-me dizer-vos: o depois não é apenas mais um ano, o depois estende-se para sempre; o depois é para a vida.

Eu encontro-me no depois, e deixem-me dizer-vos: é uma parte tão ou mais importante que as outras. Chata no início, mas tudo passa. Reflexão é a melhor palavra para descrever esta parte, em que entendemos que o mundo não mudou, quem mudou fomos nós, e isso muda tudo.

Sabem a melhor parte? Os reencontros. Poder reunir com aquele amigo mesmo especial que fizemos ou relembrar os momentos engraçados com a nossa família de acolhimento é uma sensação fantástica. Posso dizer que este ano, após voltar da experiência, já me aconteceram ambos - e é tão bom! Nunca pensei que voltasse a ver pessoas especiais tão cedo, mas felizmente aconteceu.

Gostava de contar-vos como foi ter a minha mãe de acolhimento cá, exatamente (literalmente) um ano depois de me ter despedido dela em lágrimas no campo final de despedida em Junho de 2015. Ainda me lembro das últimas palavras dela, "Não importa o que aconteça nem onde estejas, serás sempre parte da nossa família".

Agora, depois de um ano, eu, a minha mãe e os meus avós estávamos prontos para receber a minha mãe de acolhimento, quem cuidou de mim durante a minha estadia num país estrangeiro, e que me tratou tal como um filho (infelizmente, o resto da família não pode vir mas um já é mais que suficiente para matar a saudade!). É claro, a sensação de gratidão e de divida da nossa parte é imensa e durante essa semana quisemos mostra-lhe isso.

Primeiramente, foi muito entusiasmante que as minhas duas famílias se pudessem conhecer, depois de ouvirem tanto falar sobre uma e outra vindo de mim. É uma sensação fantástica poder ter as duas no mesmo lugar ao mesmo tempo. Eu senti-me de certa forma completa, ou perto disso, porque um dos maiores desejos de um afser será sempre ter os dois mundos e as mesmas pessoas que já conheciam antes e que conheceram durante o ano afs, no mesmo lugar e ao mesmo tempo, o que será sempre, realisticamente falando, impossível. Mas voltar a ver alguém assim especial é como uma lufada de ar fresco, é como se aquele mundo entusiasmante em que estivemos no nosso país de acolhimento voltasse por breves momentos ao nosso país de origem. É como se as pessoas que conhecemos lá o trouxessem com elas para cá, porque podemos falar sobre ele outra vez e relembrar como foi, e isso foi muito bom para mim.

Outra sensação muito boa de reencontros é a oportunidade que temos de mostrar de onde vimos e de onde somos. Eu estava muito entusiasmada para mostrar à minha mãe de acolhimento muitos dos locais turísticos (e não turísticos) de que tanto lhe tinha falado, e uma das melhores maneiras de nos sentirmos turistas no nosso próprio pais é tendo alguém que nunca tenha estado em solo português! Tornamo-nos completos guias turísticos oficiais, e é uma sensação engraçada! Há coisas que ela achava muito interessantes ou visualmente bonitas que eu não entendia o porquê, mas isso também aconteceu quando lá estive e nunca tinha reparado nisso. Tentei ensinar-lhe um pouco da língua (embora não muito bem sucedida), o meu avô aproveitou a situação para beber o vinho que não bebe (porque a minha avó lhe dá nas orelhas) quando ela cá esteve (porque tem que se dar a provar do melhor vinho português!!!) e durante uma semana só comi comida típica portuguesa (ah, e os pasteis de Belém! Não descansei até que a levasse a provar um, ou dois ou três pasteis de Belém..) E claro, não podia faltar o bacalhau (desta vez foi o espiritual) no jantar do dia do jogo das meias-finais do Euro que foi de chorar a rir com a família toda a levantar-se da mesa durante a refeição para gritar, bater palmas, dançar ou celebrar a vitória!

Percebi que nada tinha mudado, mesmo depois de um ano, tudo continuou na mesma, a nossa relação, tudo. Também há traços da personalidade dela, coisas pequenas, que te vais esquecendo e que só te apercebes delas outra vez quando estás com a pessoa que foram engraçados recordar. Quando andava na rua, sentia que tinha literalmente duas mães. Eu sempre senti que tinha, durante e após a experiência, mas tê-las no mesmo lugar ao mesmo tempo é outra coisa! Sinto que este reencontro só nos aproximou ainda mais porque, como ela disse: “Agora percebo a natureza do teu sorriso genuíno”, e isso significou muito para mim. É bom quando a nossa família de acolhimento percebe de onde vimos e conhecem os nossos, e é muito bom quando os nossos conhecem quem fez parte da nossa experiência afs, porque até os reencontros acontecerem, a experiência e as “pessoas afs” são apenas histórias que contamos aos que nunca passaram por ela. Quando a minha experiência afs acabou ,“Adeus” era a única palavra que conhecia, mas o que não sabia era que o tempo me iria trazer tantos “Olá’s” de novo!” Que venham muitos, muitos mais!

Mónica Cepeda | Estudante AFS 2014/2015 | Portugal – EUA



Como me sinto a dois dias de partir? Impossível dizer porque não é possível descrever.

Tenho aqui uma família, e é a melhor família que poderia ter pedido, sinto-me em casa e sinto-me feliz, super feliz. Não imagino dizer-lhes adeus, não me imagino a viver sem eles. Acolheram-me como uma filha, mesmo quando no dia anterior não era mais do que um nome numa folha. Abriram-me as portas da sua casa, acolheram-me, ajudaram-me, ajudaram-me e ajudaram-me. Pessoas espetaculares, sempre com um sorriso na cara, só as suas presenças fazem-me sentir segura. Nunca lhes chamei mãe ou pai mas não é por isso que não o sinta. Raramente me faltam as palavras mas não consigo agradecer o suficiente a estas duas pessoas.

Cheguei a este país sem saber uma palavra de italiano, sem conhecer uma pessoa e agora tenho uma vida aqui. Quando deixei Portugal sabia que retornaria, retornaria para casa, para a minha primeira família e para os meus melhores amigos (que me sinto tão abençoada por ter, raramente uso o termo amar mas amo-os).

Mas deixar esta vida é diferente, ainda mais difícil do que deixar a primeira. Explico porquê. No momento em que entrar naquele avião com destino a Lisboa a minha vida em Itália acaba, acabou, mais do que esta aventura, esta vida. Sim venho visitar, sim eles vêm-nos visitar mas não vou viver mais nesta casa, neste lar, não vou para a escola italiana, apanhar o autocarro para casa ou ir para Turim sábado depois das aulas.

E depois existem também os amigos... Cheguei aqui com a mentalidade que as pessoas no norte de Itália não eram muito amigáveis mas não foram precisos muitos dias para essa mesma mentalidade mudar, mudar radicalmente, chamem-lhe sorte, chamem-lhe o que quiserem mas a verdade é que aqui conheci algumas das melhores pessoas que já conheci em toda a minha vida, a quem também não me imagino dizer adeus, a quem não quero dizer adeus, de quem me vem aquele nervosismo no estômago de pensar dizer adeus, de quem nunca me esquecerei porque cada um deles fez o meu intercâmbio ainda mais especial. Um ano que me mudou a vida, a mentalidade, a vontade de viver, de ver, de conhecer, de não parar.

Há um ano trouxe com o maior orgulho a bandeira portuguesa para terras italianas mas uma coisa que o intercâmbio nos faz é que, se ao mesmo tempo nos sentimos mais patrióticos do que nunca também nos sentimos menos, porque agora posso dizer que me sinto metade portuguesa metade italiana e este país terá sempre uma enorme parte desde coração português.

Itália, eu amo-te.

Mariana Castro | Estudante AFS 2015/2016 | Portugal - Itália



Um ano da nossa vida é, sem dúvida, algo difícil de explicar. Quando me pedem para falar sobre o meu ano de AFS em Itália nunca sei por onde hei-de começar ou que momentos é que hei-de contar. A única coisa que eu tenho a certeza que quero transmitir às pessoas é o quanto valeu a pena a coragem de sair de Portugal, de deixar a minha família e amigos, a minha zona de conforto e a nossa língua, para me aventurar na experiência mais importante da minha vida.

Dia 5 de Setembro de 2014 entrei no avião com destino a Roma, não tinha dúvidas de que estava pronta, pronta para o campo de chegada, com afsers de todas as partes do mundo, pessoas que não se conheciam de lado nenhum mas que iam passar pelo mesmo. Foi óptimo para tirar os nervos, conhecer pessoas e, especialmente, os estudantes que iam estar na nossa zona. Na madrugada de dia 07 já estava no autocarro com destino a Turim, no Piemonte, norte de Itália. E foi aí que realmente começou.

Eu vivia com uma família com 2 filhas, uma mais nova com 14 anos e outra mais velha com 22, que só vinha a casa aos fins-de-semana, um pai e uma mãe. Foram sem dúvida quem mais me ajudou durante todo o ano e quem me fez crescer. Isto porque, viver noutra família é sem dúvida a coisa mais diferente de tudo isto! Por fora, o país pode ser completamente diferente, mas é uma questão de aparência física, é o que é e não muda, acabarei por me habituar; Mas a vida em casa é diferente, as regras mudam, muitas vezes ouvi “nãos” que não estava habituada a ouvir da minha família portuguesa, que me conhece e confia em mim; tive de começar do zero, ganhar a sua confiança e adaptar-me a eles, foi talvez dos desafios mais difíceis e melhores, que tive até hoje.

Ao princípio tudo é extraordinário, a comida é de chorar por mais, a tigela, que em Portugal, normalmente é para a sopa, lá serve para a massa, ou risoto, ou lasanha ou qualquer outro hidrato de carbono! O 2º prato é sempre mais saudável (ou menos calórico), tipo saladas, queijos, legumes salteados, carnes frias e é essencial que haja sempre presunto (cru: presunto normal ou cotto: fiambre). É impossível andar pela rua, passar por uma gelataria (que não são poucas) e não entrar pelo menos 1 vez por dia! Quando temos fome não comemos um pastel de nata, mas sim uma focaccia: quadrado de pizza!

No entanto, nem tudo é fácil, para além da nossa família e amigos, temos saudades das coisas que nunca achamos que íamos ter, temos saudades dos pormenores, das pequenas rotinas, das coisas que sempre fizemos e estivemos habituados a fazer, mas que não achamos que fosse importante despedirmo-nos. É fora que aprendemos o que é dar valor às coisas que sempre tivemos e nunca soubemos apreciar.

Aprender italiano foi das melhores coisas do meu ano, lembro-me que quando cheguei conseguia apanhar algumas coisas mas não sabia falar, muito menos conjugar verbos e que só fazia gestos com as mãos para tentar ser percebida... No fim, em Junho, fiz um exame de italiano o CILS C1, nada fácil, mas passei, e é uma coisa que fica para a vida. Foi muito mais difícil voltar a falar português do que aprender italiano e ainda hoje construo algumas frases em italiano, o que me faz dizer coisas sem sentido nenhum...

Claro que os amigos que fiz foram o mais difícil de deixar, desde italianos a amigos de todo o mundo! Estamos sempre em contacto e já tive a sorte de estar com alguns! Eu decidi escrever todos os meses, todos os dias 5 de cada mês, um texto no facebook, para ir poder explicando aos meus amigos como estava tudo a correr, o que foi uma coisa óptima, porque agora que os leio dá mesmo para ter uma noção da evolução do meu estado de espírito em cada altura. Recomendo!

Voltar à vida em Portugal é parte desta experiência, é mais difícil do que estava à espera... O tempo passa e todo o ano que passámos está apenas na nossa memória, é impossível revivê-lo e vamos acabando por voltar à normalidade da nossa vida português, que nunca volta a ser a mesma que foi antes de irmos, porque só nós é que sabemos o quanto crescemos.

Maria do Carmo Monteiro | Estudante AFS 2014/2015 | Portugal - Itália



Quero mais tempo. Mais tempo para estar aqui, para viver aqui, para aproveitar. Estou na Áustria há cinco meses mas na realidade pareceram-me dois.

A Áustria é um país lindíssimo e não só pelas paisagens que tem mas também pelas pessoas no geral. É um país de certa forma fora do normal, em que as pessoas parecem frias e um pouco superficiais mas que na verdade são afáveis e até quentes. Não quentes como nós latinos mas um quente assim menos de contacto físico e mais de contacto intelectual.

Fui acolhida por uma família e por uma vila inteira e não há palavras suficientes para lhes agradecer a todos e para dizer o quanto já me ensinaram até agora não só sobre a cultura daqui mas também a nível pessoal. A minha família de acolhimento é uma super família, acolheram-me não como uma estudante de intercâmbio mas como um membro da família. Sou a 10ª estudante que recebem e por isso posso dizer que para além da minha irmã e do meu irmão em Portugal, tenho mais 10 irmãs e 1 irmão espalhados pelo mundo todo, não é incrível?

A cultura austríaca é bastante diferente da nossa: não há atrasos (quase nunca), não há peixe do bom e melhor (como dizem as senhoras da praça em Portugal) porque não há mar, não há beijinhos e abraços só porque sim, não há anos sabáticos, não há conversas acesas e num tom elevado e, mais importante, aqui não há o meu querido português, só o alemão. O alemão é uma língua difícil de aprender, sem dúvida, mas ao mesmo tempo tão interessante de entender. Cheguei aqui sem saber dizer nada e hoje falo tanto (ou mais) que em português.

Outra coisa que me apercebi aqui é que ser AFSer tem sim a ver com conhecer uma cultura nova mas principalmente tem a ver com conhecermo-nos a nós próprios e do que somos capazes de fazer sozinhos. É uma viagem a procura da nossa essência e, parecendo que não, é algo que precisamos e que certamente nunca iremos esquecer. Estar aqui é uma constante aprendizagem em relação a tudo, basta-nos receber o que nos é desconhecido com uma mente bastante aberta em vez de estereótipos.

Apesar de ser tudo muito bom neste momento aqui, as coisas nem sempre foram fáceis. Há sempre aquelas situações difíceis pelas quais não estamos à espera mas que temos que enfrentar e superar e quando o fazemos há uma força que cresce em nós inacreditável. Há sempre também, obviamente, as saudades. As saudades dos beijinhos da mãe, do colo do pai e das danças e cantorias com os manos. Há também, por incrível que pareça, as saudades do meu país, de ir à praia, de falar a minha língua, de comer a minha comida com o sabor que me é tão familiar. Estas são coisas que embora não desse o mínimo valor quando estava em Portugal, hoje fazem-me uma falta tremenda. Tudo o que para mim antes era pequenino e irritante em Portugal é hoje gigante e motivo de orgulho.

No fim de tudo, este ano não me deu só um novo país a que chamo de casa, uma nova família ou novos amigos, deu-me também um orgulho acrescido de poder dizer com o maior orgulho na voz que sou de Portugal e que falo português.

Obrigada Áustria, Obrigada Portugal, Obrigada AFS. É o melhor ano da minha vida.

Maria Saias Santos | Estudante AFS 2015/2016 | Portugal - Áustria



Parece que ainda ontem estava no avião que me trouxe para a Alemanha e que ainda ontem passei horas e horas no aeroporto de Frankfurt a conhecer estudantes dos quatro cantos do mundo. No entanto, já passou um mês desde que vivi esse dia.

Fazer o ano AFS é deixar a nossa realidade, aquilo que conhecemos e partir para o desconhecido. Mas para se conhecer realmente esta sensação tem de se viver o programa: por muito que tivesse lido e ouvido antes de embarcar nesta aventura, só tive total consciência quando aqui cheguei.

Só estou cá há um mês, é verdade, mas posso dizer que neste mês aprendi mais sobre outras culturas do que em 16 anos. E não só sobre a cultura alemã. Como estudante de intercâmbio, conheci pessoas de todo o mundo que me ensinaram um pouco da vida nos seus países. Ser uma estudante de intercâmbio é a melhor maneira de acabar com qualquer estereótipo.

Um dos maiores receios que tinha, enquanto estava em Portugal, era, sem dúvida, a adaptação. Felizmente, tive imensa sorte e todos me receberam super bem apesar da enorme barreira que é a língua.

A Alemanha é um país espectacular, a todos os níveis. É um país lindo e muito natural, há imensos espaços verdes. É também um país muito organizado e civilizado. Apesar de ser também um país europeu, consigo encontrar imensas diferenças entre a vida alemã e a vida portuguesa.

Tive imensa sorte, como já disse. A minha família acolheu-me de uma forma excelente; também as minhas turmas (aqui não temos todas as disciplinas com as mesmas pessoas) são muito pacientes e tratam-me bem e, conheci pessoas excelentes que estão a passar pelo mesmo que eu.

Por só ter passado um mês, não posso dizer que tenho muitas saudades. Para ser honesta, aquilo que mais falta me faz ou que mais estranho são pequenas coisas que em Portugal nunca dei importância como a posição relaxada que nós, portugueses, temos em relação aos horários; os cumprimentos (cá não há beijos ou bochechas para ninguém, as pessoas cumprimentam-se com um aperto de mão) e talvez a proximidade que os portugueses têm uns com os outros, cá são todos mais reservados.

Este mês foi sem dúvida um mês magnífico que não trocava por nada. Espero aproveitar os próximos 9 ao máximo e espero estar apta a falar alemão muito brevemente. É sem dúvida uma experiência enriquecedora que aconselho vivamente a todos.

Sofia Mendes | Estudante AFS 2015/2016 | Portugal-Alemanha



Quantas vezes não dei por mim a pensar e a imaginar como seria fazer um programa AFS, como seria ser um AFSer e na quantidade de pessoas que teria a oportunidade de conhecer e com quem iria conviver se o fizesse. Eram muitas as vezes em que o meu pensamento se enchia com todas estas ideias e imagens que, não sei como, se iam formando, e também eram muitas as vezes em que, no meu interior, cada vez mais era maior a vontade de o fazer, de o experienciar. Quantos não foram os estudantes AFS que conheci, que admirava e a quem atribuía todo o meu louvor por achá-los as pessoas mais corajosas que alguma vez podia ter encontrado, por terem deixado tudo o que lhes era querido e terem partido à descoberta ao fazerem o seu intercâmbio. Eu também sentia que precisava tanto disto como do ar que necessito para sobreviver. Era urgente!

Foi no dia 20 de agosto (data que jamais me escapará da memória) que deixei tudo para trás em busca deste meu sonho. E por ser meu o queria tanto, mas tanto, que foi esse querer que me deu a coragem e motivação para deixar a minha família e amigos, os meus estudos e paixões, a minha cultura, as minhas origens, enfim... o meu querido PORTUGAL!

Não foi fácil. Foi um dia intenso e bastante stressante que também não irei esquecer: muita confusão, filas enormes, os 10kg de excesso de bagagem que tinha e que, num estalar de dedos, fui obrigado a tirar para fora da mala (roupa, calçado, memórias, prendas...), sem falar das balanças do aeroporto que não estavam a funcionar (nunca estavam certos quanto ao peso da mala; se era preciso tirar mais coisas ou não…) e, claro, a despedida: (até agora) os 15 minutos mais custosos de toda a minha vida – o momento em que os meus olhos se encheram de lágrimas e o meu coração parecia querer saltar-me do peito para fora; o momento em que abracei a minha família pela última vez e, pela última vez, senti o seu cheiro e toque.

“Está na hora! Tens de passar.” – disse a voluntária que estava presente e que, até mesmo quando as coisas pareciam mais difíceis, ela, com toda a sua calma e profissionalismo, me tranquilizava e repetia vezes sem conta todos os detalhes que eu precisava de saber. Um obrigado a esta pessoa maravilhosa! E lá fui eu, “atolhado” de camisolas, casacos e cachecóis, desorientado e com a imagem da minha família sempre presente na minha mente. Mas, houve um momento em que, no meio de todo aquele aparato, refleti: “Está na altura de viveres aquilo com que sempre sonhaste nestes últimos 2 anos. Vai e aproveita ao máximo esta experiência! Estás a ter a sorte de muitos que gostariam de estar no teu lugar...”.

Primeiro para Frankfurt, onde, ao chegar, me encontrei com os 50 alemães que também vinham para a Argentina e, depois, todos juntos para Buenos Aires. Mais horas de voo me esperavam (desta vez, 11 horas) e, cada vez mais, a ânsia de chegar era maior. Enquanto não partia, ainda no aeroporto de Frankfurt, ia desfrutando os minutos que me restavam antes de entrar no avião para conhecer e falar com os meus novos companheiros de jornada. A viagem foi longa e mal consegui dormir porque estive sempre muito indisposto, com frio e dor de cabeça e, para piorar, de vez em quando vinha-me à memória a minha família e o quão difícil estava a ser deixá-los.

No dia 21 de agosto, lá estava eu em Buenos Aires. Já não podia ver mais aviões nem controlo de passaportes e bagagens à minha frente! Já só queria descansar e pôr as ideias em ordem. Para além dos alemães, os primeiros estudantes que conheci foram dois russos (um rapaz e uma rapariga), uma húngara e um estudante checo – estes dois últimos tinham vindo sozinhos dos seus países, tal como eu. Depois, num piscar de olhos, a sala do aeroporto onde nos encontrávamos começou a encher-se de t-shirts de todas as cores: os belgas e os americanos reclamavam o azul, os suíços contrastavam com o vermelho, o laranja era vestido pelos austríacos, o amarelo provinha de Itália e, assim, começou a formar-se toda uma fusão de cores de todo o mundo. Mais tarde seguiu-se a Noruega, a Islândia, a Suécia, a Turquia e muitos mais países com quem troquei impressões e fiz amizades.

Por fim – e depois de estarmos divididos por grupos (ainda no aeroporto de Buenos Aires) –, seguimos de autocarro para um outro aeroporto, a fim de apanhar o último avião rumo à província de Neuquén (sul da Argentina), onde iria ser recebido pela minha família de acolhimento de boas-vindas. (Nos primeiros 11 dias, estive em casa de uma família de boas-vindas porque a minha família de acolhimento ainda se encontrava de férias na data em que eu chegava.)

Foi nesse exato momento – quando cheguei ao aeroporto de Neuquén – que comecei a sentir algumas diferenças culturais e onde apareceram as primeiras “adversidades”, a começar pela forma de cumprimentar: sempre com um só beijo na face direita da pessoa, seja homem ou mulher, grande ou pequeno, conhecidos e desconhecidos – mas sempre com um só beijo! Logicamente, há casos em que os homens estendem a mão entre si, embora seja rara a vez que isso acontece. As distâncias, aqui (dentro das localidades/cidades), calculam-se por quadras – e não por metros – ou pelo tempo. Os horários tardios para as refeições (o almoço a partir das 14h30-15h e o jantar a partir das 23h-23h30), a "siesta" que é sagrada a seguir ao almoço, o "dulce de leche" que nunca pode faltar nas casas argentinas, a importância de ter uma vida social bastante ativa e frequentar imensas festas, a comida muito à base de carne ("el asado Argentino”) e massas, os transportes, a importância que o futebol tem na vida dos argentinos (generalizando), os hábitos na escola, a roupa e muitos outros detalhes são algumas das  diferenças com que me deparo todos os dias. E claro não podia deixar de mencionar o facto de, quando as pessoas sabem que sou de Portugal, ser questionado sempre com a mesma pergunta: "Quién es lo mejor: Messi o Ronaldo?".

Há mais de um mês que aqui estou e, cada vez mais, sinto-me encantado com os diferentes hábitos e costumes, as paisagens, com a generosidade e amabilidade das pessoas e com tudo o que aqui se passa. Todos os dias agradeço por ter sido louco o suficiente para embarcar nesta aventura. Que os restantes 10 meses sejam tão (ou mais) felizes como este que passou!

Tchau, nos vemos y que anden bien!

João Antunes | Estudante AFS 2015/2016 | Portugal-Argentina



Faz hoje quase um ano que apanhei o avião para uma das maiores aventuras que tive e alguma vez terei na minha vida. Foi uma viagem longa com várias escalas e muito cansativa. Lembro-me de, durante a viagem, perguntar a mim mesma, constantemente, o que estava a fazer naquele avião, sozinha, e como é que ia ser viver um ano num país diferente com pessoas diferentes, tudo diferente.

Fui para os Estados Unidos, para o estado de Colorado e para a cidade de Colorado Springs. Posso dizer-vos que esse pensamento que tive enquanto estava no avião passou no momento em que conheci a minha família de acolhimento. Dizem muitas vezes que o início da experiência é espetacular e só depois começas a sentir a “ponta do iceberg”.

Contudo comigo foi diferente. A primeira semana foi difícil porque ainda não estava em mim e não sabia como é que iam ser as coisas todas e como é que me ia desenvencilhar nesta experiência. Depois da primeira semana foi tudo muito mais simples. Comecei a ser da família, uma irmã mais velha para 4 pirralhos (3 irmãos e 1 irmã com idades compreendidas entre 1 ano e 9 anos). Não foi tarefa fácil, mas se fosse também não tinha sido a mesma coisa. Posso dizer que para além de pirralhos foram essas 4 pessoas que mais vezes me puseram a rir enquanto estive fora. Outra particularidade da minha família foi que tanto o meu pai de acolhimento (Thomas) como a minha mãe de acolhimento (Eliza) eram militares.

Durante os 10 meses que passei nos Estados Unidos da América vivi muitas coisas, experienciei muitas outras e conheci pessoas espetaculares com mentalidades diferentes e maneiras de viver também diferentes. Tive a oportunidade de ir a Seattle com a minha liason e mais outra estudante da Dinamarca e de ir com um dos meus irmãos de acolhimento (Cameron, 9) visitar Detroit e Chicago que era onde o meu avô de acolhimento vivia.

Mais tarde, no Verão depois do Thomas ter ido para uma missão no Afeganistão fomos à Califórnia numa famosa road trip porque as crianças estavam a ter um momento difícil com a ida do pai. Por isso a Eliza (mãe) decidiu fazer esta viagem tanto para ver se eles desanuviavam como para me mostrar outro estado espetacular que é a Califórnia. Isto para dizer que consegui conhecer uma parte importante do meu país de acolhimento mesmo sendo muito grande e essas experiências foram possíveis porque a minha família de acolhimento queria que eu tirasse o maior partido possível deste ano de intercâmbio.

Fiz este programa porque tanto o meu pai como as minhas duas tias já o tinham feito e o que constantemente ouvia das experiências deles fizeram com que também quisesse viver a minha. Acredito que uma das coisas que também tornou tudo mais fácil foi a Eliza também já ter feito um ano AFS (Espanha). Acredito que por ela já ter feito intercâmbio que percebia o quão difícil pode ser em certos momentos e o quão importante é ter o apoio da família de acolhimento.

Tive a oportunidade de ir ver um jogo da NBA, NHL e da seleção feminina de futebol dos EUA contra a China. Fui à Prom, joguei futebol na escola, fiz a graduação com os meus colegas de turma, fui fazer ski com os outros estudantes da AFS entre muitas outras coisas espetaculares que nunca teriam acontecido se não tivesse feito esta experiência. Se me pusesse aqui a descrever todas as atividades que fiz com eles este texto nunca mais acabava. Por isso posso simplesmente dizer que foi um ano formidável e quando me despedi deles para vir para Portugal só pensava em quando é que iria voltar.

E isso tornou-se numa realidade este Verão. A AFS-USA organizou um concurso em que a família de acolhimento colocava uma foto do estudante que tinham acolhido com um dos membros da família e uma pequena descrição. A partir daí a escolha do vencedor baseou-se no maior número de votos sendo o prémio uma viagem a Nova Iorque, Chicago, São Francisco ou Washington D.C. Graças à divulgação feita por mim e pela minha família ganhámos este concurso. Dia 23 de Julho voltarei a entrar no avião rumo a Nova Iorque onde me vou encontrar com a minha família de acolhimento e lá ficaremos 5 dias e depois voltamos para Colorado para outros 10 dias. Melhor era impossível! O que posso ter a certeza deste reencontro é que vou aproveitar ao máximo!

Catarina Bajanca; estudante AFS 2013/2014, EUA



E vi assim, a uma rapidez alucinante, 6 meses passaram-se!

Desde que aqui cheguei, que tenho uma relação especial com o tempo. O que era antes para mim, algo indefinido e um tanto ignorado, é agora algo altamente preservado, encarado não mais por uma infantil perspetiva. Valorizo-o como nunca o valorizei, pois no fundo, a vida são dois dias.

Estranho é, como é que neste estreito espaço de tempo, tantas coisas tenham acontecido, tanto aprendido, tanto visto, tanto vivido. E tenho esta ânsia de contar tudo, e contar detalhadamente, numa tentativa de ilustrar as minhas aventuras e o que eu estou a sentir. Mas deparo-me com a impossibilidade de o fazer. É algo inexplicável.

Os 3 meses que passaram desde a última vez que escrevi, sinto que foram meses de consolidação. Estou totalmente integrada, tenho os meus amigos, a minha família, a minha casa, escola, os meus hobbies e programas, a minha rotina, etc. Vivo como se sempre aqui tivesse vivido. Existe em mim um profundo sentimento de pertença. Agora é outra coisa. Sinto-me suíça, sinto-me em casa.

Estava com medo do Natal, não passá-lo junto da minha querida e numerosa família prometia um aperto no coração. No entanto, não custou como eu achava. Não vou dizer que não tive saudades, estaria a mentir, porque elas estão sempre aqui, mas tudo o resto compensou. Foi um Natal recheado. Tive direito a tudo: decorações incontáveis, dentro, fora, e em cima das casas, ainda nos restaurantes, escolas e pelas estradas fora, luzes e luzinhas; músicas natalícias e bandas de rua; variadas tradições; gastronomia então nem se fala; frio e do bom; e neve... Esta minha nova amiga... Límpida, branca, pura, esplêndida.

E veio o carnaval, um mês imparável de festas, paradas, muita música e bandas malucas, bebida e dança, misturadas numa multidão desfilando e exibindo os seus fatos, um mais assustador, engraçado ou provocador que o outro. Há que referir ainda que patinagem no gelo, ski e trenó são actividades recorrentes e sempre uma excitação.

Pronto, a minha vida aqui está muito perto de ser um sonho. No entanto, mais importante que todas as actividades e festejos, e das principais razões que me fazem sentir tão bem é a maneira de ser e de estar das pessoas. Como interpretadora sociológica que sou, já cheguei a variadas conclusões sobre este país, e o porquê de serem tão bem sucedidos, completos, e das sociedades mais felizes do mundo. São inúmeros os factores, mas como já tinha referido no meu primeiro texto, posso apontar o respeito, educação, responsabilidade, organização, entreajuda, e por aí fora, com que eles vivem. Bem, isto observando apenas uma amostra da suíça, que entendo que seja uma representação fiel. Ou então estou mesmo rodeada das pessoas certas. No entanto, concluí ainda uma outra coisa: eles são pessoas altamente genuínas. Vejo esta genuinidade em tudo o que eles fazem e a naturalidade que a acompanha. Esta é sem dúvida uma característica peculiar e rara nos tempos que correm.

Ora, mas eu conheço também um povo, com a sua maneira tão própria de ser, com as suas características tão especiais, uma pátria riquíssima e única. É da minha terra que falo, de Portugal, que com orgulho e saudade recordo. Mas alegro-me também ao saber que irei voltar e que terei, se Deus quiser, imenso tempo para contemplar este nosso grande País. No entanto agora só tenho mais 4 meses e meio pela frente, há que viver o momento e fazer destes meses que restam ainda mais espectaculares do que os que passaram.

Muitos beijinhos,
Auf Wiedersehen!

Maria Barreto; estudante bolseira AFS 2014/2015, Suíça



No passado dia 5 de Abril fez 7 meses que estou em Itália. Bem, por onde começar?

Sou a Margarida, tenho 17 anos e estou em Como, norte de Itália, há cerca de 6 meses.

Sinceramente, não sei bem a principal razão pela qual quis participar neste programa. Se calhar foi um misto de razões, se calhar foi só para provocar os meus pais uma noite. A verdade é que estou aqui, a viver o ano da minha vida!

O início não foi nada fácil, mudei logo de família na primeira semana e pensei “não devia estar aqui, de todo! Isto não é para mim!”, eu sei, eu sei…logo na primeira semana, parece que me esforcei pouco mas foi o melhor que me podia ter acontecido.

Depois de cerca de 1 mês e meio, transferi-me de Pescara (centro) para Como (Norte). Comecei a acreditar no destino, como me ensinou uma amiga de Pescara.

Por engano, o perfil da minha actual família foi calhar às mãos da pessoa responsável em encontrar-me uma família nova. Normalmente, quando há mudança de família tentam que seja sempre na mesma zona, assim não há mudança de escola, cidade, amigos, etc… mas foi mesmo por engano, porque de Pescara a Como ainda é alguma distância.

Também talvez por engano, chegou-me aos ouvidos e como já não estava a sentir-me nada bem onde estava, queria começar de novo, numa cidade nova, com pessoas novas e perguntei se podiam entrar em contacto com esta família. “Não me parece, porque esta família está disponível para acolher só por 2 meses, não mais do que isso, mas posso perguntar.” É aqui que entra o destino, a família tinha aceitado! Três dias depois apanhei o avião e mudei-me para o Norte. Foi o melhor que me podia ter acontecido! Senti-me bem desde o início, porque senti que estava no sítio certo e a partir daí foi tudo muito fácil. Amigos, escola, voluntários e o mais importante, Família.

Posso garantir que estou a aproveitar tudo ao máximo! Vou a tudo o que posso e estou sempre à procura de “mais”, viagens, passeios, museus, festas, tudo! Tem sido cansativo, digo desde já. Uma desvantagem, no meu caso, é que perco um ano de escola. No entanto, ganho muitos de experiência de vida. Sei que não somos todos iguais nem pensamos da mesma forma, mas acho experiência de vida muito mais importante quando em comparação com um ano escolar e só posso agradecer aos meus Pais naturais por pensarem como eu.

Sim, Pais naturais, porque agora tenho uma outra Família, uns outros Pais, que são tão meus Pais como os Naturais.

Sempre fui uma rapariga que gosta de estar com a Família. Ao fim-de-semana, entre uma saída à noite e jantar com os meus Pais, são raras as vezes em que tenho dúvidas e tive a sorte (ou talvez tenha sido o destino) em ter calhado na melhor Família de acolhimento de sempre. Também para eles, esta está a ser a sua primeira experiência e estão a sair-se lindamente!

Obviamente que não me senti 100% parte da Família desde o primeiro segundos em que apertámos a mão no aeroporto, mas é assim que deve ser, senão seria falso. Aos poucos e poucos comecei a sentir-me uma verdadeira Lombardi! Demonstraram montes de vezes que são a minha Família, com gestos pequeninos.

Lembro-me que poucos dias depois de ter verdadeiramente participar neste programa de escâmbio, pus-me a ler os testemunhos e li um sobre um rapaz que tinha perdido o Avô enquanto estava fora e que foi relativamente fácil de ultrapassar a situação devido ao apoio familiar. “Coitado!”, pensei. A vida dá tantas voltas que aconteceu-me o mesmo. Recebi a notícia mesmo a seguir de jantar e a minha irmã simplesmente se deitou ao meu lado, na cama, por meia-hora. Parece insignificante, mas não. No dia seguinte, a minha Avó “emprestada”, que é tanto minha Avó como as minhas naturais, disse “não te preocupes, tens-me a mim aqui, tens aqui uma Avó”. Repito, pode mesmo parecer insignificante, mas não é, de todo. Esta Avó “emprestada” é tão importante para mim! Pela primeira, tive uma Avó que vive a 10 passos de mim e que vejo todos os dias. Apetece-me chorar só de pensar no próximo ano.

Ganhei duas Irmãs que só falta termos o mesmo sangue. Também pela primeira vez, calhou-me a ser a mais velha; o meu papel inverteu-se, que sempre fui a princesa mais nova de casa. Pode parecer estranho, mas sinto que tenho o papel de as proteger, de algum modo. E quanto aos meus Pais…bem, digamos só que peço-lhes todos os dias para me deixarem viver aqui para sempre.

Mas sejamos coerentes: nem tudo é um mar de rosas. Aqui, perdi a minha independência. Se quero ir a algum sítio, já não posso sair de casa e chegar onde quero com meia dúzia de passos. É tudo longe! E os autocarros não passam com muita frequência. Vivo em colina, a meia hora da cidade maior, Como. Para não falar das festas de anos perdidas, viagem de finalistas perdida, ano de escola perdido, quilos ganhos (!!!). Mas e então? “Lose some, win some.” Este ano fiz coisas que nunca imaginei! Em vez de passar a passagem de ano na discoteca, como é tradição, passei-a dormir porque dia 1, bem cedo, levantei-me e fui aprender a esquiar com os meus amigos e irmã! Posso dizer que foi a melhor passagem de ano que passei até hoje. Estas eram os “contra”, mas já os sabia antes de ter tomado a grande decisão que tomei. A verdade é que não me arrependo de nada.

Aprendi o verdadeiro significado de ‘viver’ e ganhei um espírito novo. Agora é sempre para a frente e nunca mais estar parada no mesmo sítio por muito tempo! Outra coisa, muito importante, foi o novo orgulho que ganhei pelo nosso Portugal. Estar fora faz-nos perceber o que realmente temos e somos e não podia estar mais orgulhosa por ser portuguesa.

Margarida Rezende; estudante AFS 2014/2015, Itália



Olá a todos! O meu nome é Pedro e já fazem quase seis meses que estou na Noruega. Estes seis meses têm sido os mais desafiantes, mas ao mesmo tempo os melhores que alguma vez tive.

Parece que foi ainda ontem que cheguei a Oslo e que o meu ano aqui começou. A sensação de entrar para o desconhecido é quase inexplicável, é algo que se precisa de viver. Coisas básicas como a escola, fazer amigos e compreender as pessoas tornaram-se difíceis para mim. Apesar disto no momento de chegada fiz dos melhores amigos que alguma vez vou ter: os outros participantes AFS. Aquele grupo de pessoas que viaja do seu país e vem para o mesmo sítio do que tu está sempre lá para ti, pois eles identificam-se contigo e a ligação que temos entre todos é muito grande.

Na Noruega o tempo tem sido o meu maior inimigo; semanas parecem dias e, de facto, como imensas pessoas dizem, tens de aproveitar todos os segundos que tens cá! Agora que já tenho bastantes amigos cá, o tempo passa a voar e de vez em quando torna-se um pouco assustador.

Outra coisa que aprendi nesta experiência foi a ter paciência a errar. Aprender uma língua foi das coisas mais difíceis que já fiz e é preciso ter bastante paciência. O meu maior erro, olhando para trás, foi não ter bases no norueguês.

Refletindo um pouco no meu país de acolhimento chego à conclusão de que a Noruega é sem dúvida o país mais bonito do mundo, embora tenha tido imensa sorte onde vim parar e também pelo facto de já ter viajado por quase toda a Noruega. O Inverno traz também outras possibilidades; ir fazer ski torna-se um hábito, assim como usar tanta roupa que até é difícil mexer. O inverno traz também a neve que tem sido dos pontos altos da minha experiência (neva bastante por estes lados…).

Tive também muita sorte com a minha família de acolhimento, com a escola e com as pessoas da minha área que têm sido espetaculares comigo. Dito isto, também posso dizer  que nem tudo é fácil, como o facto de todos os dias ir para a escola e levar uma hora até lá (com um frio de rachar), ter só meia hora de almoço e - o pior para mim - foi jantar quase todos os dias às quatro da tarde. Mas agora que já estou integrado na cultura e que já sei a língua as coisas começam a ser muito melhores.

Para quem quiser fazer o ano AFS só vos digo: aventurem-se! Portugal é muito pequeno e têm todo um mundo por descobrir.

"The AFS year is not a year in your life, it’s your life in a year."

Pedro Mendes; estudante AFS 2014/2015, Noruega



Cinco meses na Holanda já foram e ainda cinco estão para vir.
Finalmente percebi o verdadeiro sentido da expressão “ o tempo voa”. Sempre achei essa expressão um exagero, mas a verdade é que desde que cá estou o tempo voa mesmo. Parece que foi ontem que entrei no avião para vir para cá e de repente olhamos para o calendário e já passaram cinco meses e nós nem damos por isso. Acho que quando chegamos a esta fase, em que apenas temos cinco meses pela frente, é que nos começamos a aperceber o pouco tempo que temos, o que fizemos e o que se calhar devíamos ter feito, as coisas boas e as coisas más, o tempo que não aproveitámos e o tempo que foi bem aproveitado. Esta fase, eu chamo a esta fase “a minha cabeça vai explodir”. Eu, sendo uma pessoa um tanto preguiçosa, deixo sempre tudo para o dia seguinte, acho sempre que tenho tempo para tudo, mas felizmente começo a aperceber que este não é o caminho certo.

Não aproveitar todos os segundos desde que entramos no avião, é a pior atitude que podemos ter, porque todos os segundos contam  e todas as decisões que fazemos vão tornar ou não o nosso ano incrível, tudo depende de nós.  Por isso deixo aqui um conselho para os futuros “exchange students”: um ano a viver noutro país não é imenso tempo, aliás, quando estamos cá, um ano não chega para nada, tentem aproveitar todos os segundos desde que entram no avião, estejam sempre com a atitude mais positiva que conseguirem encontrar dentro de vocês, aprendam a dar valor a tudo o que vos dão  e garanto-vos, se fizerem isso não se vão arrepender.

Claro que viver um ano fora não é sempre um paraíso e nem sempre tudo é fácil como as pessoas fazem parecer. Pelo menos falo por mim, aprender um língua nova não é nada fácil, especialmente sendo essa língua holandês. Imaginem estar num país onde não percebem a língua - a comunicação torna se cem vezes mais difícil, porque apesar de quase todas as pessoas falarem um inglês minimamente razoável, nem sempre estão dispostas a falar, o que só nos dificulta a vida. Ah, isto fez-me lembrar de outro conselho muito importante para todos os futuros “exchange students”: se forem para um país onde não conhecem a língua, antes de irem, informem-se  e estudem a língua, pelo menos tentem ter o mínimo de bases, vai ser a vossa maior ajuda.

Desde que cá estou, aprendi, vi e vivi tantas coisas, coisas que se calhar nunca teria vivido se não tivesse escolhido vir para a Holanda. Uma cultura, na minha opinião mesmo muito diferente da nossa, nos valores, nas tradições... Basicamente tudo é diferente, mesmo quando não estamos à espera, mas para isto só nos faz crescer e aprender mais dia-a-dia.

Apesar de ter passado por dias difíceis, não me arrependo de ter escolhido a Holanda, porque aliás estes dias mais difíceis fazem parte de toda esta experiência, fizeram-me crescer e ajudaram-me a aprender a ver o mundo com outros olhos.

Holanda é sem dúvida um país espetacular e tenho a sorte de poder conhecê-lo todos os dias um bocado melhor. Sem contar com o facto de ter de andar de bicicleta todos os dias para todo o lado. Sim eu sei que é muito saudável e até é divertido quando está bom tempo, mas agora com 1 grau, às 7h da manhã, chuva e vento, a ir vinte minutos para a escola garanto-vos que não é nada agradável. Mas, para além do meu ódio a bicicletas que criei cá, não é isso que me faz ficar arrependida de ter tomado a decisão de entrar nesta enorme aventura, porque às vezes até sabe bem um passeio de bicicleta quando está bom tempo.

Uma grande vantagem de fazer AFS num país pequeno são os amigos do AFS. Normalmente em países grandes como os EUA, é difícil manter a ligação com as pessoas do AFS. Aqui temos a facilidade e oportunidade de nos vermos quase todos os fins-de-semana e viajarmos por toda a Holanda. Sinto que já viajei e conheci mais a Holanda do que conheço Portugal.  Estas pessoas que conheci através do AFS são provavelmente as pessoas mais espetaculares que já conheci, pessoas de todos os cantos do mundo que acabam por ser iguais a nós e são também o nosso maior apoio porque são as únicas pessoas que estão a passar exatamente o mesmo que nós.

Concluindo, se estiverem indecisos ou por alguma razão não entraram no país que escolherem em primeira hipótese, tentem encontrar um país diferente, um país que não conhecem e que gostavam de conhecer e, se têm medo da língua, não se preocupem porque como já vos disse com dedicação e esforço nada é impossível e acreditem que no fim todo este esforço vale a pena!

Teresa Azevedo; estudante AFS 2014/2015, Holanda



Ciao a tutti! O meu nome é Luana Gomes e encontro-me há cerca de 3 meses a fazer o Programa AFS em Itália numa pequena vila a meia hora de Milão. Lembro-me que foi uma sensação aterrorizadora quando me apercebi que me encontrava num local onde não conhecia ninguém, onde a língua era desconhecida e saber o que esperar era impossível. Tudo me passava pela cabeça, mas por outro lado, era uma experiência nova que me fascinava. Não saber o que esperar fez com que tudo se tornasse mais intenso a cada segundo.

Algo que me marcou e ainda hoje recordo, são aquelas palavras sábias, quando me encontrava no campo de chegada e um excelente homem (diretor do AFS Itália) nos disse que começar esta experiência era como renascer, começar do zero e que seria uma vida num ano que sem dúvida mudaria as nossas vidas, que teríamos de esquecer tudo aquilo que encontrávamos no nosso país e apenas olhar para o futuro.

O momento em que encontrámos a família que nos iria acolher por um ano foi algo que não consigo explicar, euforia, felicidade, nervosismo talvez sejam boas palavras para descrever aquele momento.

“Live as if you were to die tomorrow. Learn as if you were to live forever.”

Sinto-me sortuda, tive a hipótese de encontrar uma família incrível que me acolheu como se fosse sua filha e que a cada dia que passa me apoia imenso; de conhecer excelentes pessoas de diversos países e criar amizades que me marcaram imenso. Poder conviver com pessoas de outras nacionalidades, poder ouvir as suas histórias, as suas rotinas, conhecer as suas opiniões e até mesmo partilhar aquele sentimento que era novo para todos faz-me abrir a mente para a diversidade que tanto me fascina.

No final, depois de me integrar, de suportar o cansaço, de começar a falar e compreender a língua digo que começar esta experiência foi a melhor coisa que podia ter decidido, que muda a nossa vida e nos faz dar valor a tudo aquilo que vivemos e estamos a viver. Sinto saudades, mas não desejo voltar. É um ano cheio de diversão, onde tive a oportunidade de começar a conhecer-me verdadeiramente, onde aprendi que o diferente é o que torna cada um de nós único e onde a paciência é uma virtude. A adaptação não é complicada, apenas devemos olhar para ela com tranquilidade e tolerância.

Agradeço a toda a minha família por me ter deixado realizar este programa, por me apoiar incondicionalmente e a todos os voluntários AFS que me deixaram os melhores conselhos para que este ano fosse o melhor da minha vida. Tudo o que vivi até hoje tocou o meu coração, aconselho qualquer um a “provar”, pois exprimir tudo aquilo que sentimos é impossível, isto é apenas uma pequena porção daquilo que é realmente um ano AFS.

Apesar de 3 meses a minha vida já mudou, um até já.

Luana Gomes; estudante bolseira AFS 2014/2015, Itália



E faz hoje 3 meses que deixei Portugal. Os 3 meses mais impressionantes da minha vida. Primeiro que tudo: que país incrível é este a Suíça. Começando pelas paisagens (simplesmente indescritíveis), passando pela simpatia, carinho, alegria e educação das pessoas; destacando também a eficiência e a competência com que esta sociedade se move; não esquecendo a gastronomia (dia não é dia sem muito pão, leite e, claro, chocolate) somando a qualidade de vida, etc; tudo isto me faz adorar viver em terras helvéticas. Também o facto de ter parado numa óptima família, vila e escola ajudam imenso.

Os meus primeiros amigos foram outros “exchange students”, porque fiz com eles um curso de alemão durante um mês, e foi realmente interessante e divertidíssimo! Também a minha irmã de acolhimento, que tem a minha idade, apresentou-me logo aos amigos e amigas (só na minha rua vivem 3) e farto-me de fazer programas. Com o resto da família faço tudo e mais alguma coisa. A proactividade é coisa que não falta aqui.

Já visitei quase metade da Suíça, e também já estive na Alemanha, Áustria e Liechtenstein. Para completar o pacote, tenho uma estância de ski ao lado de casa, e espero agora ansiosamente para começar a esquiar.

Com isto posso dizer que sou bastante sortuda. Mas é certo e sabido, que esta experiência nos transforma. Aqui sim, aqui na minha cabeça é que tudo se move a uma rapidez alucinante. Acordam memórias que nem sabia que tinha; aquelas interrogações, teorias e medos bem complicados e enraizados também se tornam mais distinguíveis; e as saudades, como não podia deixar de ser, desempenham bem o seu papel.

Uma coisa bem distinta na minha experiência é a comunicação. Este é o maior entrave de todos. Ora o alemão, como o senso comum sabe, é tudo menos fácil. Mas eu com estudo e força de vontade até me tenho safado, e sinto bem a evolução. Mas e se eu vos dissesse que eles aqui não falam o alemão que eu aprendo, ou seja o alemão normal, mas sim um dialecto? E isto agora? Imaginem a frustração. Tudo mais ou menos bem, quando falam comigo o alemão correcto, alguns tem a simpatia de o fazer, e na escola, televisão e jornais isso também acontece. Mas entre eles não. Agora imaginem também, tentar fazer amigos sem conseguir falar com eles (é difícil encontrar alguém com um bom inglês), nem as primeiras impressões das pessoas conseguir captar; mesmo parecer simpática é difícil. Então tudo o que seja mais complexo que isto parece impossível. Bem parecia.

Apesar de toda a solidão e frustração que envolvem a dificuldade de comunicação - ou a falta dela - o segredo está na persistência. Porque eu sei que só pode ficar melhor, e cada dia que passa vou aprendendo mais palavras, vou percebendo mais, vou falando melhor. E é tudo isto, a soma das benesses com as dificuldades, que fazem da minha experiência aquilo que ela é: completamente autêntica. Posso portanto concluir que ao fim desta pequena porção de tempo, me descobri. Aprendi, vivi e compreendi mais do que alguma vez imaginei. Percebi com mais precisão quem é que eu sou, mas acima de tudo, quem é que eu quero ser. Sou tão mais autónoma e desenrascada. Bastante mais tolerante. Mais consciente e lúcida. Acima de tudo, ainda mais agradecida pela minha família e amigos, pela minha fé, educação e cultura. Exalto também o enorme orgulho, admiração e nostalgia que tenho do meu querido país, que é Portugal.

Maria Barreto; estudante bolseira AFS 2014/2015, Suiça






Olá, o meu nome é Francisco. Faz 2 meses que estou em Itália a viver o meu ano de intercâmbio. Viver! É certamente o verbo desta experiência. Viver uma cultura nova, viver sem a minha família, viver sem os meus amigos de sempre. Parece uma tristeza abandonar tudo mas digo já que não é. Renasci no dia em que meti pé em Itália, uma nova vida em que comecei por conhecer centenas de pessoas de diferentes países, todos na mesma situação que eu, meio perdido, meio desorientado, sem saber o que me esperava o futuro.

Depois de 2 dias em Roma conheci a minha família de acolhimento em Turim. A melhor família de acolhimento do mundo. Agora estou a viver numa cidade pequena em que ninguém fala ou Inglês ou Português. Tive de aprender portanto a língua o mais rápido possível. Nas primeiras semanas comecei a falar o “portitaliano” em que maior parte das coisas que queria dizer já conseguia transmitir aos meus amigos e aos 2 meses já posso considerar que sei mais uma língua. Saber a língua é absolutamente a melhor forma de integrar-se. Existem muitas diferenças (choque cultural): Na escola, temos um intervalo de 10 minutos por dia, temos de ir sábado à escola e há testes orais e escritos todas as semanas; quando se chega a casa tem de se tirar os sapatos da rua; o almoço é sempre massa.

No fim de contas há tanto que mudou mas mesmo assim é tudo muito fácil se tivermos uma mentalidade de tolerância e paciência ou seja estar preparado para adaptar-se a qualquer situação. O cansaço é uma coisa que já é normal, sempre que posso durmo e descanso. É realmente fatigante estar todos os dias a traduzir palavras na cabeça e processar todas as informações. Significa que estou a viver e digo já que quem está sempre aborrecido deve fazer AFS. É um ano certamente sem aborrecimentos. Tenho pensado muito sobre o meu futuro, um dos meus objetivos deste ano. Tenho aprendido muito sobre esta cultura e viver numa sociedade cuja mentalidade é diferente da minha ensina mesmo muito. Para além disso aprendi muito sobre mim, é verdadeiramente uma viagem de autoconhecimento. Tenho visto coisas de perder a respiração e não me lembro de ter comido mal desde que aqui cheguei. Realmente não sei o que seria se tivesse perdido esta experiência.

Queria agradecer a todos os voluntários que me deixaram os conselhos necessários para ter esta experiência que me está a correr como uma maravilha. Gostaria de realçar que todos os estudantes dos outros países não vieram tão bem preparados como eu, não tiveram a sorte que eu tive de ser preparado pelos melhores voluntários do mundo. Agora vejo que todas as actividades que pensava que fossem estúpidas ou sem sentido foram as que mais ajudaram no fim de tudo. Obrigado a todos por me deixarem viver este sonho intercultural. Está a ser fantástico!

"Happiness is a choice, not a result. Nothing will make you happy until you choose to be happy."

Francisco Palma; estudante AFS 2014/2015, Itália


Fez dia 17 de Agosto um mês que estou a viver a experiência da minha vida na Malásia. Todo este mês foi repleto de novidades. Ao início confesso que estava completamente perdida mas nada que parar para observar não resolvesse. É o que mais tenho feito, observado. Fui acolhida por uma família malaia em Kuala Terengganu que, como a maioria dos habitantes do estado onde moro, é muçulmana. Tem sido o meu grande suporte no meu processo de adaptação. E além disso quebraram algumas ideias erradas que tinha sobre os muçulmanos. É verdade que a sua cultura é muito diferente da minha porém quando analisada com a mente aberta e respeito não é assim tão difícil a adaptação. Trata-se apenas de compreensão. A princípio fazia-me imensa confusão que as mulheres muçulmanas na Malásia só pudessem mostrar o rosto e as mãos enquanto os homens só tinham que tapar do umbigo a cima dos joelhos, que cada vez que passasse por um professor na escola tivesse que baixar a cabeça, que só pudesse comer com a mão direita porque a outra é a mão suja... Agora que compreendo os porquês parece-me tudo bem mais aceitável. Um dos primeiros problemas que tive foi com os cheiros, principalmente quando ia ao mercado ou às feiras de comida que chamamos de Bazar, ia quase todos os dias durante o Ramadão pois é hábito aqui ir lá comprar comida confeccionada para comer depois do pôr-do-sol. Quase tudo é frito aqui, então o cheiro a óleo de fritar misturado com peixe, uma fruta que cheira muito mal e mais uma centena de coisas dava-me a volta ao estômago e tinha que prender a respiração. Acabava por não comprar nada para comer só bebia um sumo, até ao dia que percebi que aquilo era tudo comida talvez só tivesse que tentar separar os cheiros e tudo seria mais fácil. Parece estranho mas resultou de tal maneira que a certa altura já era eu quem pedia para irmos ao Bazar e comia tanto que no espaço de três semanas ganhei seis quilos... Para além dos malaios, no meu estado há também indianos, chineses e indonésios. Na escola convivo com todos eles e aprendo imensas coisas sobre as suas diferentes culturas. Para os meus colegas malaios, principalmente, eu sou a novidade do ano passam a vida a pedir-me para tirar fotos com eles. Alguns tentam falar comigo mas algumas raparigas são tão tímidas que quando passo ficam só a olhar muito atentamente e tapam parte da cara com o lenço que usam para tapar a cabeça. No geral são todos muito amáveis incluindo os professores. A escola começa as 7.30 da manhã, porém tenho que lá estar um pouco antes, a primeira coisa que fazemos é a assembleia, todos os alunos reúnem-se no pátio organizados por filas, os que chegam atrasados ficam numa fila a parte (que já experimentei) o que é considerado um castigo. Depois os professores e o director fazem os seus comunicados, que ainda não percebo sobre o que são. Neste estado as aulas são de domingo a quinta-feira pois o número de estudantes e professores muçulmanos aqui é muito superior, as coisas mudam de estado para estado. O meu grande desafio aqui foi "Como comer só com a mão direita correctamente?", a verdade é que era muito engraçado ver-me a tentar comer educadamente só com uma mão, literalmente "à mãozada". Depois de muito observar os outros a comerem lá consegui, pode parecer fácil mas. para quem não está habituado, não é. Porém acho que este é um hábito que vou levar para vida, não há nada melhor do que comer com a mão, é outro sabor! Como é óbvio já tive bons e maus momentos desde que aqui estou. Já apanhei sustos que me ensinaram que o que nos dizem no campo de chegada da AFS sobre cuidados a ter é para ser mesmo levado em conta, é verdade que este não é um dos países mais seguros mas acho que é uma questão de ter cuidado. Aqui também há muita coisa boa que pode ser bem aproveitada e muitas pessoas de valor. No geral, este primeiro mês foi muito bem passado e tenho muito mais para contar pois são imensas as descobertas que tenho feito porém acho que aqui está uma boa essência do que foi este mês. Acredito que este possa ser um ano fantástico! A Malásia é fantástica!
Terima kasih AFS! (Obrigada ♡)

Lisandra Martins; estudante AFS 2013/2014, Malásia



Olá, o meu nome é Leonor e fiz o meu ano AFS em Viterbo (Itália) no ano lectivo de 2010-2011. Hoje, por acaso, enquanto deambulava pela internet, dei por mim no novo site da AFS a ler testemunhos de estudantes e de famílias e fiquei com vontade de escrever um também.
   Já passaram quase três anos desde que entrei naquele avião em direcção a Itália! Lembro-me de estar a ter dificuldades em mentalizar-me de que não estava a ir uns dias de férias mas sim um ano para casa de uma família que sabia ser constituída de quatro irmãos, dois gatos e um cão... é engraçado como a maneira como olhamos para a experiência vai mudando com o passar do tempo! Chegámos a Roma, eu e a Rita e, depois de nos perdermos um pouco no aeroporto à procura dos voluntários da AFS, lá os encontrámos e fomos levadas para uma pousada onde estavam e iam chegando todos os estudantes que iriam fazer o programa nesse ano em Itália. A dado momento estavam 450 jovens de 54 países diferentes por todo o lado, uma confusão de línguas das quais se destacavam o inglês e o espanhol! Tenho uma recordação ligeiramente turva em relação a esses 3 dias passados na pousada, estávamos todos a viver uma espécie de euforia intercultural!! Uma das coisas que eu mais guardo com nostalgia e saudade são os campos de orientação em Itália, é absolutamente fascinante estar rodeada de gente de sítios tão diferentes. Poder conversar sobre a arte de rua e a música da América Latina, a criminalidade no Brasil, a religião muçulmana, e milhões de outros temas, com gente que "vive dentro deles". Estar com pessoas tão diferentes umas das outras, vindas de histórias e com ideologias que em princípio se "deviam" contradizer fez-me chegar à conclusão que o mundo é simultâneamente grande e pequeno, diferente e igual, porque a verdade é que apesar das diferentes sociedades que estão implementadas em cada um de nós,  somos todos muito parecidos nas coisas mais importantes. Acabei por, a certa altura, me aperceber que tinha deixado de estar rodeada de brasileiros, malaios, argentinos e islandeses e passado a estar rodeada apenas de pessoas como eu... deve ser a tal coisa de nos sentirmos cidadãos do mundo e não de um país.
   Quanto à minha família, bem, mais italiana era impossível... falavam todos muito alto e gesticulavam sem parar (que eu ao princípio até achava que eles estavam sempre a discutir). As minhas irmãs mais novas (que na altura tinham 3 e 5 anos) andavam sempre a correr de um lado para o outro com o cão atrás, o meu irmão de 14 anos tinha como passatempo preferido correr com o gato ao colo e atirar-se para o sofá (talvez com o objectivo de levantar voo), a minha mãe italiana gritava muito e o meu irmão de 12 anos sempre que se encontrava sozinho em casa fazia sandes de nutella com 8 pisos (coisa que ele não podia fazer devido à sua intolerância ao chocolate)... o meu pai dormia muito no sofá, tal como eu que nunca dormi tanto como na primeira semana em que vivi naquela casa! Bom, acho que dá para perceber que fiquei hospedada num seio ligeiramente louco ("un vero casino!"), e sinceramente não podia ter sido melhor! É óbvio que não foi sempre tudo fácil, tivemos discussões dignas de tragédia grega, uma em particular com a minha mãe que acabou numa explosão de lágrimas de ambas as partes que, ao contrário do que podia acontecer, fez com que nos tornássemos mais próximas.
   Apesar de tudo, posso afirmar sem dúvidas nenhumas que passei momentos espectaculares com as pessoas que conheci e que neste momento continuo a considerar os meus irmãos e os meus pais italianos como parte da minha família! Já lá voltei duas vezes e dentro em breve lá voltarei uma terceira. Mal posso esperar!!!! Já recebi também mais que uma vez amigos italianos e uma amiga do Chile da AFS em minha casa em Portugal, toda a gente já sabe que a minha casa está sempre com as portas mais que abertas para os receber e que eu estou sempre disposta a levá-los a beber uma ginjinha e a comer uma sopa de tomate à casa do alentejo.
   Acho que é desnecessário afirmar que este programa da AFS é uma experiência extremamente enriquecedora a todos os níveis porque isso parece-me bastante óbvio e quem o fez, independentemente de ter ido para a China, para a Gronelândia ou para o Peru, há-de com certeza concordar comigo.

Leonor Cabrita; estudante AFS 2010/2011, Itália


Aqui na Malásia há muito por onde pegar, como por exemplo, neste país vivem 3 comunidades em conjunto: Chineses, Indianos e Malaios. É óptimo poder presenciar todas as festividades e comemorações, religiosas ou não, destas três comunidades, ver o quão diferente eles actuam e comemoram as suas festividades e as suas diferentes maneiras de adorar os seus deuses. É fácil fazer amizades aqui, pois toda a gente quer ficar a conhecer-te porque somos "gweilo" (a maneira de dizerem que somos pessoas "brancas" em Mandarim (chinês)), é um pouco mais difícil mantê-las visto que aqui as pessoas não mostram facilmente as suas emoções e não são muito afectuosas. Por aqui passa-se por muito, bom, mau, estranho, completamente maravilhoso... é muito para se por num parágrafo.
A língua, pelo menos para mim, é bastante difícil pela sua diversidade de palavras e a gramática é diferente por isso não estou nem perto de ser fluente. Já viajei muito apesar de ter sido só dentro da Malásia, passei por sítios que sei que nunca hei-de conseguir voltar e por eventos que sei que nunca irei experienciar outra vez. Mas é muito diferente viver numa casa onde só se tem uma mãe de acolhimento e que o seu estilo de vida, de sentir e a sua mentalidade são completamente opostas à tua. Mas dá que aprender.
Tal como muitas outras pessoas, que fizeram e fazem este programa e outros, nota-se que o tempo passa tão rápido que não parece real, tudo muda tão rápido e quando dás por ti, mesmo que não tenhas tentado, já começas a ter os mesmo hábitos que os locais e a fazer coisas que nunca tinhas feito antes mas que, por influencia da cultura onde vives, já fazes sem pensar. É espantoso!

Ricardo Martins; estudante AFS 2011/2012, Malásia



A Malásia é o país mais lindo que já vi em termos de natureza e vida selvagem. E é sem dúvida muito mais complicado do que eu pensava.
A verdade é que quando se escolhe um país como estes nunca se pensa realmente no que pode correr mal, simplesmente se está entusiasmado para viver algo tão diferente. De qualquer forma, a verdade é que não podia ter escolhido melhor. Apesar da difícil adaptação às pessoas, comida, tradições, etc, e de estar sempre numa espécie de montanha russa emocional de tanto estar feliz e num óptimo sítio como super deprimida num sítio terrível, nunca vou encontrar um país mais rico em diversidade de culturas, línguas e religiões tudo no mesmo sítio. Aqui tenho crescido e aprendido como nunca imaginava talvez não da forma mais fácil, mas das melhores experiências que acho que vou ter na minha vida.
Tudo é diferente! É impossível realmente explicar, acho que tem que se viver...
Apesar de não concordar com muitas ideias e de ter que lidar com algumas mentes fechadas, aprendi a respeitar e a entender alguns ideais, como por exemplo o que está por trás da religião muçulmana. É também um sítio em que algo está sempre a acontecer, portanto tens uma espécie de amostra de tudo o que te pode acontecer na vida, num ano.
É definitivamente o país mais diferente, interessante e complexo e difícil que alguém poderia vir. E não podia ter escolhido melhor.

Ana Catarina Belo; estudante AFS 2011/2012, Malásia



Lembro-me do momento em que estava no avião. Só eu e o João Simões, os únicos portugueses a escolher Dinamarca como destino. Não sei explicar o que sentia enquanto voávamos. Estava confuso, curioso e até um pouco medroso do que poderia acontecer neste ano.
Passados seis meses, um riso atravessa a minha mente quando relembro esses sentimentos. Sinto que cresci, amadureci, aprendi a respeitar a diferença e não julgar precipitadamente o outro e muito importante uma nova língua! Perguntam-me constantemente se tenho saudades e se quero voltar para o meu País. Óbvio que sinto falta da minha família, amigos, comidas deliciosas e praias, mas encontro-me aqui neste sonho sem pensar tanto no regresso mas mais na rapidez dos acontecimentos. Esta experiência serve também para valorizar aspectos do nosso país de origem que nunca tínhamos dado importância alguma até então.
Tive muita sorte com a minha família e já viajei para diversos países da Europa. Para todos os estudantes que pensaram em fazer este programa de intercâmbio, aceitem o desafio. Não hesitem, irão ter o melhor ano das vossas vidas!

Miguel Maia; estudante AFS 2011/2012, Dinamarca



Cheguei ao fim da minha experiência AFS. Já tenho os pés em casa mas a cabeça está no meu país de acolhimento... Posso-vos garantir que uma experiência assim é única e irrepetível. Se muda a vida de uma pessoa, não sei... No meu caso, a Bélgica vai permanecer sempre o país por que tenho uma especial relação. Tive a família de acolhimento mais tolerante e mais simpática do que alguma vez poderia imaginar: Nunca me vou esquecer do dia em que o meu pai de acolhimento me levou às cinco da manhã para me levar a horas ao meu comboio para Amesterdão. Nunca me vou esquecer de que vivi num comboio! Vivi noutra língua... Conheci o culto da cerveja, da gaufre e do chocolate. Dos sete quilos que ganhei. E das toneladas de gente que conheci. Pensa-se que os "amigos internacionais" esquecem-se, mas não é verdade. Já os tenho que me vêm visitar agora e já tenho planos para ir à Costa Rica... Portanto... Fazer AFS num país... É conhecer o Universo. Eu sempre pensei por ter família belga que não havia mais nada a conhecer das "bélgicas".... No entanto, só vivendo no país, me apercebi de quão redutora é a nossa visão de qualquer outra cultura quando estamos no nosso próprio país. Segue o meu conselho: se estás a hesitar entre partir ou ficar, o medo da saudade é mínimo comparado ao mundo que ainda tens por conhecer! E quando voltares, nada está perdido. O mundo está ganho.

Pedro Franco; estudante trimestral AFS 2011, Bélgica



Sem dúvida estes 6 meses que tive foram os melhores da minha vida! Através desta experiência consegui crescer bastante, consegui alargar os meus pensamentos, ser mais flexível em relação às opiniões e pontos de vista dos que me rodeiam. Nesta experiência concluí que em 6 meses é possível "entrar" numa nova cultura, fazer parte da sociedade do país em que estás, aprenderes uma nova língua e fazeres amigos dos quais não te esquecerás! Esta é uma aventura da qual nunca me arrependi de entrar e que gostaria que nunca acabasse! Este ano resume-se a isso, uma aventura, com ele consegui perceber que sou capaz de fazer muito mais do que pensava. 
Esta experiência deu-me bastante confiança e vontade de ir explorar o mundo, esta pequena bola azul que a muitos atormenta, tal como disse a Rita depois disto apercebe-mo-nos que não existem barreiras, basta haver força de vontade e lutar para chegar aos nossos objectivos! A todos aqueles que estão em dúvida, aceitem esta oportunidade e desafiem-se as vocês próprios, no final surpreendam-se com o que conseguiram fazer, tal como nós!

João Simões; estudante AFS 2011/2012, Dinamarca



Olá, sou a Catarina e tenho 16 anos, estou na Alemanha há cinco meses e tem sido uma experiência óptima, conheci um monte de pessoas novas e tenho uma familia fantástica. Desde que cá estou aprendi a ser mais responsável e a viver com pessoas que não conheço de lado nenhum, mudei de hábitos, e cresci como pessoa. Apesar de estar no mesmo continente, e não muito longe de casa, estou num mundo completamente diferente, não é só em termos de língua, mas nos costumes e na sociedade. Estou a adorar a minha experiência porque estou a conhecer o mundo, e estou também a conhecer-me a mim mesma melhor. Muitas pessoas dizem que vai ser difícil, as saudades, os medos, tudo, mas nem é muito, os primeiros cinco meses estamos ainda como que 'num novo' mundo, e não sentimos saudades, porque nem temos tempo para ter saudades, e agora que já se está a meio, já vemos que em cinco meses estamos de volta, e como o tempo passa a voar não vai haver tempo para ter saudades. Em relação aos medos, tem que se vir com uma mente aberta e pronta a novas experiências, não podemos recusar fazer algo porque isso pode-nos privar de uma experiência única. É uma experiência óptima, com que muitos sonham há imenso tempo.

Catarina Amaral; estudante AFS 2011/2012, Alemanha



É difícil falar de algo tão grande como é este ano. A princípio criei um blogue e fui escrevendo. Depois, era ler o que tinha escrito uma semana antes e já tudo diferente, a fotografia tão maior.

A Noruega é um país cinquenta anos à frente do meu. O meu conselho para todos os que estão a ler isto é que se aventurem numa experiência destas que é altamente recompensadora. Portugal é muito pequenino. Saiam daí e vão ver como é noutro lugar. Aqueles que estiverem interessados na Noruega em particular, peçam à AFS o meu contacto. Disponham, eu tenho imenso gosto em contar-vos como é isto aqui e, se vos ajudar a decidir vir para aqui, para outro lado qualquer ou a ficar, será sempre com imenso gosto.

Afonso Borges; estudante AFS 2011/2012, Noruega



Estou na Noruega acerca de 6 meses. Ainda não descobri as palavras certas para descrever esta aventura. Só sei que não quero que este ano acabe. Tem sido o maior desafio da minha vida, quer a nível escolar, familiar e acima de tudo pessoal. É incrível como num ano pode mudar tanta coisa e mais incrível ainda é termos a certeza e sentirmos com todas as partes do nosso corpo que este É o melhor ano das nossas vidas.

Este ano tem de tudo. Tem dias menos bons, mas mais do que isso, tem dias impossíveis de esquecer de tão bons que foram. Tem sido um ano cheio de surpresas. A língua, os novos amigos, a nova família, os novos hábitos, um sistema de educação completamente diferente, uma cidade nova, uma nova forma de expressão e de mostrar as coisas, os amigos internacionais, o orgulho em ser Portuguesa… faz tudo parte. Há diferenças enormes e também há muitas diferenças muito pequeninas que só nos apercebemos com o tempo e que no final são aquelas que tem um significado maior porque nos apanham completamente despercebidos. Outra das coisas que toma proporções gigantes é a forma como encaramos o que se passa a nossa volta. De repente deixei de ver o Mundo como um lugar demasiado grande, para passar a ser um sítio cheio de oportunidades. Deixam de existir barreiras intransponíveis, só existem DESAFIOS!

Rita Saias; estudante AFS 2011/2012, Noruega



Desde que cheguei à Holanda tudo tem sido uma aventura.
Mudar de hábitos (como ter de levantar às seis da manhã para ir buscar leite à leitaria) e de mentalidade, nem sempre é fácil, e viver com pessoas completamente diferentes de ti também não. Há que compreender que às vezes nem tudo corre bem e que por razões que não dependem de ti, o percurso às vezes pode  ficar atribulado.  
Mas nem tudo é feito de sentimentalismos profundos. Já viajei muito, já vi quase metade da Europa desde que estou aqui, já fiz muitos amigos, já vi coisas que sei que só vou puder ver uma vez na vida, já passei por situações hilariantes e já estou quase fluente na língua. Viver debaixo do mesmo tecto de pessoas de nacionalidades diferentes, escrever cartas, sentir saudades e orgulho cada vez que alguém fala no teu país, faz tudo parte da experiência.
Acaba por ser algo maravilhoso, sabes? E o tempo passa tão rápido. É incrível como algo nos muda tão rapidamente.

Joana Cavaco; estudante AFS 2011/2012, Holanda



No ano lectivo de 1983-1984 vivi em Charlottesville, no estado da Virginia e fiz o 12º ano na Albermarle High School. Viajei com os outros estudantes Portugueses. Concentrámo-nos em S. Martinho do Porto, de onde viajámos em autocarro para Madrid. Voámos para Nova Iorque, onde ficámos quatro dias num campus universitário. Viajei de autocarro para Bethesda, perto de Washington, D.C., onde me esperava a familia, com quem finalmente segui para Charlottesville.
 
Encontrei várias diferenças culturais entre Portugal e os EUA. Uma das mais positivas e que mais me marcou foi a forma espantosa como o país preserva a sua curta história. Todos os locais que marcaram a história dos EUA são mantidos e apresentados de maneira exemplar, a todos os níveis.
 
A experiência AFS Influenciou enormemente a minha visão do Mundo. Passei a sentir que o Mundo era na verdade uma grande aldeia, onde cada um pode, de facto, fazer uma pequena diferença. E que os povos não são melhores ou piores, mas diferentes. A minha experiência AFS permitiu-me de facto viver a aceitação das diferenças e perceber que as relações interpessoais e interculturais são um princípio fundamental para o nosso crescimento enquanto cidadãos dum mundo cada vez mais pequeno. Por outro lado, as minhas competências pessoais também foram claramente influenciadas, nomeadamente a auto-confiança e a capacidade de adaptação a situações adversas.
 
Licenciei-me em Relações Internacionais em 1990. Depois de cerca de seis meses na Cargill Portugal, ingressei na Direcção Internacional do Banco Totta & Açores, onde trabalhei até finais de 1995. Em 1996 iniciei funções no Banco Santander de Negócios Portugal, onde fui desenvolver a área de Custódia Institucional e onde desempenhei funções comerciais, com responsabilidades na captação e gestão de clientes institucionais residentes e não-residentes. Entre Maio de 2006 e Agosto de 2008 vivi em Madrid, onde dei continuidade às minhas funções comerciais junto de clientes Europeus, no Banco Santander. Em Setembro de 2008 ingressei na Clearstream Banking - uma central de valores internacional - como responsável da equipe de Marketing & Sales Support, tendo vivido cerca de dois anos no Luxemburgo. Finalmente, em Dezembro de 2010, voltei a Madrid, onde ingressei no Bank of New York Mellon, como Network Manager, responsável pelo relacionamento da instituição com alguns bancos em Portugal, Espanha e Turquia.

Mantenho contacto regular (email e Facebook) com a família de acolhimento, a qual já visitei por duas vezes, em 2000 e 2005. Por outro lado, mantenho contacto também com os outros dois estudantes AFS da escola, um deles argentino ( que me visitou já em Portugal), o outro belga. Este também me visitou em Portugal e pude revê-lo igualmente na Bélgica por diversas vezes. Esporadicamente contacto com outros ex-colegas americanos da nossa escola e alguns outros estrangeiros que viveram na Virginia em 83-84 e com os quais fizémos a "bus trip" de seis dias, antes do regresso aos nossos países de origem.

Hugo Rocha; estudante AFS 1983/1984, EUA




Olá AFS'ers!

O meu nome é Rita Pinto e estou a fazer o meu ano AFS nos EUA, mais precisamente em Oklahoma, estado ao lado do Texas.

A primeira coisa em que pensei quando escolhi os EUA como o meu país de acolhimento foi do género, “lindo, aposto que vou parar a uma familia toda moderna no meio de New York e praia a 30 minutos de minha casa”. Pois bem, esta ilusão manteve-se até eu receber um telefonema da AFS a dizer que me colocaram num estado que nunca tinha ouvido falar, no meio do campo. E mais! Ainda me disseram que a minha família tinha vacas, cabras, cães e gatos e que a minha escola inteira, desde o 5º ao 12º, tinha cerca de 300 alunos. Foi um choque para mim, não estava nada à espera.

Cheguei a Caddo, a minha futura pequena vila no meio do nada, em Agosto de 2010. Foi um choque cultural para mim. Sempre fui uma menina de cidade, habituada a ter tudo o que preciso a 5 minutos de casa. Tive que me habituar a uma nova realidade. Esta pequena vila no meio de tantas árvores com apenas um restaurante de fast food e duas bombas de gasolina, era agora a minha nova casa.

No primeiro dia de escola todos vieram falar comigo e fazerem-me perguntas sobre mim e o meu país. Senti-me bem-vinda àquela terrinha tão pequena, as pessoas foram impecáveis comigo! Criei, gradualmente, laços com pessoas fantásticas que dizem que irão a Portugal só para me verem.

A minha família de acolhimento? Não podia ser melhor. São pessoas de uma pureza e simplicidade que na cidade é muito raro de encontrar. É claro que tivemos os nossos altos e baixos, mas sempre resolvemos os nossos problemas conversando calmamente. A aproximação à família não é imediata, como é óbvio. Temos que dar tempo ao tempo e deixar as coisas fluírem naturalmente. Lentamente, criei laços muito muito fortes com cada membro da família. É impressionante como no fim do ano nos apercebemos que arranjámos uma segunda família para a vida.

Enquanto estava nos EUA, recebi a pior noticia que algum dia poderia ter recebido: o meu avô morreu. Éramos muito chegados e tive muito em baixo durante semanas, perdida e sem saber o que fazer. A minha família de acolhimento apoiou-me ao máximo e penso que isso ajudou a sarar parte do buraco vazio dentro de mim. O meu avô de acolhimento um dia disse-me, “Rita, soube da tua perda. Lamento muito. Sei que será impossível substituir o teu avô, mas quero que saibas que estou disposto a ser um novo avô para ti e que podes contar comigo tanto como contaste com ele. Sinto-te como uma neta minha. Apesar de não sermos família de sangue, seremos sempre de alma.” Estas palavras foram como magia em mim.

Sabem que mais? Não vou dizer que esta experiência é fácil, porque não é. Houve pessoas a desistirem e outras a dois passos de desistir. Existem momentos óptimos e momentos péssimos, mas temos de aprender a lidar com eles por nós próprios e sem ajuda de ninguém. Aos poucos, tornamos-nos pessoas independentes, e acreditem que é um grande empurrão para a nossa vida futura. É preciso querer mesmo fazer isto e ter a força de vontade para o fazer. Mas digo-vos uma coisa… Se eu não tivesse feito esta experiência, nunca seria metade do que sou hoje. A AFS fez-me não só crescer como pessoa, mas também abriu-me portas para a descoberta de um mundo totalmente diferente e novo, que eu antes desconhecia.

Be the change you want to see in the world.
Be an exchange student.”

Rita Pinto; estudante AFS 2010/2011, EUA




Um ano completo!

Neste ficheiro podes descobrir as aventuras da Renata na Alemanha. É um registo completo do que foi fazendo, sentindo e aprendendo ao longo da sua experiência AFS.
Um ano AFS




Renata Sousa; estudante AFS 2009/2010, Alemanha




Escolhi vir para o Japão, pois era o pais que me parecia mais interessante e mais diferente, e realmente não estava enganada.
Tudo é diferente no Japão: a cultura, os hábitos, as pessoas, a mentalidade, a língua…

O maior desafio de todos foi sem dúvida a língua japonesa. Vim para o Japão sem saber falar japonês, à excepção de algumas palavras, e comunicar nos primeiros tempos foi um grande desafio: como eu não sabia japonês e os japoneses normalmente não sabem falar inglês, falar com alguém revelou-se uma “missão-quase-impossível”.

Não foi fácil estudar japonês sozinha, uma vez que a gramática, a escrita e a sonoridade das palavras são bem diferentes do português. Mas esforcei-me e hoje consigo falar japonês.

Quanto à minha família de acolhimento, eles são fantásticos e sempre me ajudaram muito. Os nossos momentos juntos são sempre muito bem passados e hoje sinto-me como se pertencesse mesmo à família.

Nos primeiros tempos com eles, houve muita linguagem corporal e muita consulta ao dicionário. Na altura foi um pouco desesperante, mas hoje olhamos para trás e rimo-nos dos “velhos tempos”.

A minha vida quotidiana mudou completamente no Japão: comer com pauzinhos, tirar os sapatos ao entrar, sentar mais vezes no chão do que em cadeiras ou sofás, andar constantemente de comboio, comer arroz e beber chá todos os dias… A lista é infindável!!

Ir para a escola também foi diferente: usar uniforme, levar sempre o almoço para a escola (que é sem dúvida a coisa que eu menos gosto, pois a comida à hora de almoço está fria e sem piada nenhuma), ter aulas todos os dias de manhã e de tarde…

Fiz e vi coisas que já mais poderia ter feito ou visto em outro lugar. Todos os festivais, todas as cerimónias, todos os sítios…
Não há palavras para descrever tudo o que vivi.
Esta experiência no Japão é sem dúvida uma experiência que me mudou e me está a mudar muito e que irei sempre recordar como o melhor ano da minha vida.

Não me arrependo nada da escolha que fiz, “de deixar tudo e todos”, e vir para este pais TÃO diferente de Portugal, apesar de nem sempre ter sido fácil. Mas tudo o que aprendi e vivi compensa tudo!! (.) V

Daniela Silva; estudante AFS 2008/2009, Japão