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30/5/2009 - Concurso Nacional de Leitura - Jonathan na Final!

O Plano Nacional de Leitura é uma iniciativa do Governo, da responsabilidade do Ministério da Educação, em articulação com o Ministério da Cultura e o Gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares, sendo assumido como uma prioridade política.

Uma das iniciativas do Plano Nacional da Leitura é o Concurso Nacional de Leitura, destinado a todas as escolas de 3º ciclo e secundário.

Este ano o Concurso tem tido uma participação muito especial: o Jonathan, estudante AFS da Argentina (Concordia, Entre Rios) actualmente a fazer o seu ano AFS em Portugal (Moura).

E o quase impossível acontece quando hoje o Jonathan passou na semi-final, na qual participaram cerca de 70 jovens. Amanhã será a grande final, gravada pela RTP e que será emitida no próximo fim-de-semana. Lá estaremos para celebrar este momento que já é de si uma vitória!

Para que o possam conhecer melhor, aqui fica a entrevista ao Jonathan.

Como soubeste do Programa AFS e porque te inscreveste?
Conheci o Programa AFS através de colegas da minha escola que estavam a fazer o intercâmbio noutros países e através da minha escola que também aceitava estudantes de AFS. Então, comecei a informar-me com a representação da AFS na minha cidade sobre o programa e os requisitos. O primeiro contacto com a organização foi para nos candidatarmos como família de acolhimento. Assim, recebemos um rapaz da Alemanha, Malte, durante cinco meses. Porque me inscrevi? Tinha a certeza que fazer um intercâmbio estudantil com 16 ou 17 anos seria uma experiência de vida que me ajuda a conhecer-me como pessoa, permitindo-me estabelecer laços muito fortes com a família de acolhimento e preparar-me melhor para fazer frente ao mundo em que vivemos. Nós, os jovens, não só somos o futuro, como também somos o presente e fazemos parte dele, por isso é da nossa responsabilidade trabalhar por um mundo com paz; e a AFS ajuda-nos a tentar alcançar este objectivo.

Foste tu que escolheste Portugal… ou Portugal que te escolheu? O que sabias sobre a cultura Portuguesa?
Eu escolhi Portugal. De facto, foi a minha primeira opção dos cinco países que escolhi. Portugal era um país que não conhecia muito bem, tinha ouvido falar dele poucas vezes e, quase sempre, por causa do futebol. Queria fazer o intercâmbio na Europa e comecei a investigar sobre os possíveis países, a conhecer a sua história e a saber o que eram no presente. Para além disso, uma das minhas professoras da escola é professora de Português e já tinha estado cá; adora Portugal e, por isso, falou-nos algumas vezes sobre o país e a sua gente. Também nos mostrou algumas fotografias da sua viagem e gostei imenso dos sítios que ela tinha conhecido. Comecei a interessar-me, a conhecer, embora pouco, sobre a sua cultura: a história, a gastronomia, os sítios para visitar, o sistema educativo… Sabia que Portugal tinha tido uma monarquia e que tinha sido governado por uma ditadura até 1974. Em muitos aspectos, achava que os dois países tinham coisas em comum, e queria prová-lo.

Quando chegaste a Portugal quais foram as tuas primeiras impressões?
Temos sempre a ideia de que nós, os latinos, somos mais simpáticos e acolhedores, o que normalmente se deve, por exemplo, a hábitos como os beijos e os abraços a pessoas que nem sempre conhecemos. Uma das impressões que os estudantes AFS na Argentina têm é por causa disso; quando cheguei cá e vi que não só davam um beijo, mas dois e a amabilidade com a qual fui recebido, acabei por comprovar que os portugueses, e os latinos em geral, temos uma maneira muito especial de tratar as pessoas.
No início, tudo era muito novo e, embora não tivesse muitas dificuldades, as primeiras semanas foram para me adaptar à língua, à família, à escola e à distância do meu país.
O acolhimento da minha família portuguesa foi genial, e isso foi o mais importante para que a minha experiência tenha sido tão boa até agora. Senti-me realmente muito bem, e foi uma tranquilidade para a minha família da Argentina.

E neste momento, quais consideras serem as grandes diferenças entre Portugal e a Argentina?
Considero que as grandes diferenças entre Portugal e a Argentina são a nível cultural e histórico. Portugal tem muitos mais anos do que a Argentina; é um país do “velho continente”, e, embora a Argentina seja uma terra habitada há milhares de anos por aborígenes, lamentavelmente, depois da ocupação do continente pelos espanhóis e pelos portugueses, todos os povos originários perderam as suas riquezas, a sua cultura e foram desterrados e saqueados. Portugal tem uma história de conquistas; nós nem sequer temos história antes de 1482, conhecido como o “ano da descoberta do continente americano”, como se antes da chegada dos europeus, nada houvesse lá.
Além disso, a situação económica é completamente diferente. Portugal é parte da União Europeia, o que lhe permite ter uma certa estabilidade. A Argentina é um país cheio de recursos para ter uma das maiores economias do mundo, mas ainda ninguém as soube aproveitar.
O sistema educativo, seja no ensino básico, na escola secundária ou na universidade, é completamente diferente, pelos programas educativos, pela formação dos professores e pelo papel dos alunos na sua educação. Uma diferença nas escolas é, por exemplo, nós temos estritamente proibido o uso de telemóvel e em Portugal não, os alunos sabem que não o podem utilizar nas aulas e o desligam, mas podem ter os seus telemóveis na escola.
Outra grande diferença é a comida. A alimentação é mesmo boa, porque comem carnes de vaca, borrego, frango, porco, peixes, e as sopas que são óptimas. É uma variedade muito grande e saudável. Eu só comia carne de vaca e frango…
As distâncias e o tempo são diferentes. Sendo Argentina um pais muito maior, as distâncias em Portugal para nós são pequenas mas para os portugueses, por exemplo, fazer uma viagem de 10 h num autocarro é uma coisa de doidos, e isso é muito engraçado. Nós entramos à escola mais cedo, perto das 7:10 da manhã (isto nas escolas secundárias) e aqui entram às 8:15. E mesmo na vida comercial, em Portugal começa por volta das 9 h e até às 19, lá na Argentina é geralmente a partir das 8 h até 20 h, com um intervalo entre as 13 e as 16 h.

Como surgiu a oportunidade de participares no Concurso Nacional de Leitura?
O Concurso Nacional de Leitura é uma actividade organizada no âmbito do Plano Nacional de Leitura do Ministério de Educação de Portugal. A minha professora de Português, da Escola Secundária com 3º Ciclo de Moura, incentivou-me a participar e aceitei porque gosto muito de ler e era uma experiência interessante.

Quais foram as obras que escolheste e como tem sido participar neste Concurso?
O Concurso tem três fases. A primeira foi a nível de escola, e tive de ler “Contos Exemplares” de Sophia de Mello Breyner Andresen e “Fala-me de Amor” de Graça Gonçalves; fizemos um teste com perguntas de escolha múltipla e verdadeiros e falsos. Fui o 1.º classificado e, juntamente com os outros dois classificados da minha categoria e os três classificados do terceiro ciclo do ensino básico, participei na segunda fase que é a fase distrital. Este ano foi na Biblioteca Municipal de Moura, e participaram alunos de Beja, Cuba e Moura. Escolhi os livros “Quem Quer Ser Bilionário?” de Vikas Swarup e “A Sombra do Vento” de Carlos Ruís Zafón. Também fiquei como 1.º classificado e, por isso, ganhei 30 euros para comprar livros e posso participar na fase final do concurso em Lisboa, que vai decorrer nos dias 30 e 31 de Maio e será transmitida pela Televisão Nacional RTP1.

Alguma vez imaginaste que podias ganhar as distritais?
Não imaginava que podia ganhar, mas tinha esperanças de ficar entre os classificados. Foi uma grande surpresa para mim, para os professores e para os meus colegas! E na fase distrital tinha muito medo porque tinha uma pergunta para desenvolver sobre um tema que eles propunham sobre o livro; sabia que tinha alguns erros, mas finalmente o que escrevi foi mais importante do que como o escrevi.

Como imaginas que será a final?
A sério que não imagino. Acho que vai ser uma boa experiência porque vou compartilhar momentos com rapazes e raparigas que têm participado no Concurso e que são de todas as partes do país. A final vai ser muito mais difícil de certeza, mas já estou a ler as obras e vou preparar-me para fazer o melhor possível.

O que gostarias de dizer acerca da tua experiência a famílias que estejam a pensar acolher?
Já vivi as duas partes da AFS, primeiro como família de acolhimento e depois como estudante de intercâmbio. Acho que é uma experiência muito positiva abrir as portas da nossa casa para um rapaz do estrangeiro que vai ser mais um membro da família. A ideia é partilhar e tentar fazer realmente um “intercâmbio”, isto é, fazer conhecer o nosso país, a nossa cultura, integrar o estudante, mas também aproveitar para conhecer outras culturas e países.
Acredito que acolher estudantes dos 15 aos 18 anos talvez não seja muito fácil, porque estamos a viver a nossa adolescência, estamos a experimentar ainda grandes mudanças como pessoas e estamos longe das nossas famílias, da nossa terra, dos nossos amigos. Muitas vezes, tentamos fazer tudo o que podemos para ter uma boa experiência, mas isso depende também da família de acolhimento. E nós, como estudantes de intercâmbio, temos de aprender a adaptarmo-nos à família e saber que estamos a viver numa família que, voluntariamente, nos acolheu. E isso é mesmo importante…

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