Subpage-banner-41

AFS nos Media

Jeff___família_morais_sarmento

5/7/2008 - Jovens dão nota positiva a famílias de acolhimento

Intercâmbio levou 78 estrangeiros a escolher Portugal e 41 portugueses a sair para o exterior

Autoria: Gina pereira

Têm entre 15 e 18 anos, frequentam o ensino secundário e, desafiados pelos pais ou pela curiosidade em conhecer outras culturas, embarcam na aventura de ir estudar durante um ano para longe de casa, vivendo em famílias de acolhimento.

Jeffrey Clare, 15 anos, natural da Califórnia, Estados Unidos da América, foi um dos 78 jovens estrangeiros de 19 países diferentes que, no último ano lectivo, estiveram em Portugal a estudar, integrados em famílias que os acolheram voluntariamente. De Portugal, partiram 41 jovens, no âmbito de um programa de intercâmbio que envolve 56 países e movimenta por ano cerca de dez mil jovens.

Incentivado pelo exemplo de uma amiga alemã, Jeff, como é tratado, decidiu embarcar nesta experiência, sobretudo para fazer novos amigos e conhecer um país onde nunca tinha estado e que pouco conhecia. Foi acolhido em casa de Tomás Morais Sarmento, um jovem de 18 anos que, desafiado pelos pais, rumou a Houston, no Texas, para fazer o último ano de estudos antes de ingressar em Gestão na Universidade Católica.

Teresa e Tiago Morais Sarmento, pais de Tomás, conheceram a AFS-Intercultura – a instituição que há mais de 50 anos dinamiza este programa em Portugal – através de amigos. E não hesitaram em escolhê-la quando decidiram propor ao filho mais velho que fosse, durante um ano, estudar e viver no estrangeiro em casa de uma família que desconhecia.

“Achamos que é o desafio melhor, porque obriga à aceitação de uma outra comunidade, que tem outras regras e que é preciso acatar. Não é a mesma coisa do que ir para uma escola, onde está tudo programado e planeado, e não há obstáculos nem desafios como no dia-a-dia de uma família”, explica o pai, reconhecendo que a experiência deu “maturidade” ao filho.

Aos olhos dos pais, Tomás ficou “mais adulto”, “ganhou mais confiança em si próprio” e até passou a respeitá-los de forma diferente. “Claro que fez muitos amigos, mas teve muitos momentos sozinho em que se confrontou com ele próprio. Se se sentisse bem ou mal, não tinha o pai e a mãe para o amparar”, diz o pai, empenhado em que os outros filhos – Duarte, de 16 anos, Afonso, de 13 e Leonor, de 10 – possam um dia passar pelo mesmo. Foi também por eles – para poderem praticar o inglês e aprender a lidar com uma cultura e hábitos diferentes – que decidiram receber um estrangeiro em sua casa.

Tomás reconhece que os dez meses que passou nos EUA foram um desafio “muito importante”, que lhe abriu horizontes e até o fez ficar com vontade de voltar para prosseguir os estudos ou até viver. “Agora sei que me consigo adaptar a qualquer circunstância”, diz, identificando a fluência no inglês e o facto de ter conhecido novas pessoas, hábitos e culturas como o melhor da experiência.

O tipo de ensino – muito prático e assente em trabalhos de casa, mais do que em estudo intensivo antes dos testes – é outra das mais-valias apontadas, bem como o incentivo à prática desportiva. Tomás pratica natação de competição e chegou a ser desafiado por várias universidades para ficar nos EUA a estudar e a treinar.

Pelo contrário, o ensino em Portugal foi o “calcanhar de Aquiles” da passagem de Jeff por Lisboa. Queixa-se que os professores eram “muito, muito chatos” e que passavam as aulas a “falar”. Alguns, dada a sua inicial dificuldade com a língua – que acabou por dominar – chegaram mesmo a propor-lhe que anulasse a matrícula nalgumas disciplinas. Ainda assim, Jeff garante que nunca teve vontade de desistir. Passava o tempo a palmilhar a cidade, que ficou a conhecer como a palma das mãos, e ainda teve tempo para se aventurar pelo país, cuja visita recomenda.

Artigo publicado no Jornal de Notícias

print Imprimir

Também nas notícias