Em 1979, eu era uma adolescente assustada e entusiasmada, de uma pequena vila a sudoeste da Pensilvânia, nos EUA, prestes a partir para uma grande aventura. Nesse tempo, não existia internet ou televisão por cabo, por isso quando soube que a minha experiência AFS iria ser em Portugal, tive de ir a uma biblioteca para descobrir para onde é que eu ia exactamente! Tinha três anos de aulas de alemão, mas nem uma única de português.

Quando finalmente cheguei a Gondomar, conheci a melhor família! Uma mãe, um pai, três irmãs e um irmão e tantos mais familiares que perdi a conta. Mas cada um deles tornou-se uma parte muito importante da minha vida. Foram muito pacientes comigo, ajudaram-me a aprender português, mostraram-me a cidade, a minha nova escola, apoiavam-me com os trabalhos de casa e com as saudades. Aturaram-me os disparates de adolescente. Graças a eles, pude tornar-me numa pessoa madura e responsável. Eles tornaram-se na minha família.

Nos anos seguintes ficámos em contacto. Universidade, casamentos, mudanças de trabalho - graças à internet, manter o contacto foi-se tornando cada vez mais fácil. Através da internet pude conhecer os meus cunhados, sobrinhas e sobrinhos! A minha irmã do meio veio visitar-me a mim e à minha família e, há cinco anos atrás, a minha irmã Gabriela também me veio visitar. Agora, passados 37 anos, pude vir visitar toda a gente. Sinto que nunca parti. O meu português não está tão bom, mas tal como antes, eles estão a ajudar-me a reaprender. Ver a minha mãe depois destes anos todos foi melhor que qualquer presente de natal do mundo inteiro! Simplesmente voltar a abraçar a minha família foi o melhor! Eles não são a minha Família de Acolhimento, eles são a minha família.

Depois do meu ano AFS mudei-me para a zona de Washington DC, longe da minha pequena vila na Pensilvânia. Acredito que não teria sucesso na minha vida se não fosse pela minha família e pela AFS. A minha família e a AFS enriqueceram-me de uma forma que não seria possível sem esta experiência. Também acolhi estudantes e conheço a alegria de mostrar a nossa cultura a um jovem, ao mesmo tempo que eles nos mostram a sua. O mundo não está apenas nas notícias, faz parte da minha vida. Portugal é uma casa para mim e a minha família AFS estará sempre no meu coração.

Kathleen Peddigree
Programa AFS EUA – Portugal 1979-80 &
Família de Acolhimento nos EUA




Olá. Sou o Paulo, tenho 17 anos e resido em Vila Nova de Gaia.

Sendo filho único tentei sempre encontrar forma de saciar a curiosidade de ter um irmão, mas nunca pensei que a solução viesse de outro continente.

Eu e a minha mãe ouvimos falar dos programas AFS. Ponderamos na decisão e dispusemo-nos a acolher o Joaquin - estudante semestral, de 16 anos oriundo do Paraguai. Penso que a escolha foi ditada pela curiosidade de diferenças culturais/hábitos alimentares.

Inicialmente foi estranho mas, ao fim de umas horas parecia que nos conhecíamos desde sempre. A partir daí predominaram brincadeiras, muitos passeios para mostrar a beleza do nosso país e a boa gastronomia. O Joaquin adorou o nosso peixe, os doces conventuais e, claro, as francesinhas.

O envolvimento do Joaquin nas nossas atividades diárias foi muito interessante…”obriguei-o” a ir às minhas provas de ginástica acrobática e acabou por integrar a nossa claque e ser perito nas avaliações. Em casa comeu muitas coisas que não conhecia, essencialmente peixes, legumes e alguns mariscos (incluindo tremoços!)!!! Todos os espaços deixaram de ser meus e passaram a ser nossos…o nosso quarto/quarto de banho/guarda-fatos/televisão… até a minha mãe passou a ser nossa!

Com esta experiência adquiri muitos conhecimentos, fiz novas amizades, criei ligações com os estudantes AFS que conheci.

A despedida foi difícil, agora a casa está mais vazia e estes espaços nunca voltarão a ser meus…serão para sempre também do Joaquin… e do outro lado do mundo temos um irmão/filho e mais família que brevemente irei visitar!

Paulo Azevedo | Irmão de Acolhimento AFS
2016, Vila Nova de Gaia




A minha filha Maria ia para os EUA fazer o 12º ano (através do Programa de intercâmbio AFS) e resolvi ser família de boas vindas (família que recebe os estudantes pelo período máximo de 1 mês, enquanto a AFS procura uma família definitiva). Só faltava encontrar famílias para estudantes rapazes. Perguntou à AFS se podia ser mexicano. Respondi que sim. A única indicação dada à AFS foi que o estudante deveria estar no 11º ano para estar mais tempo no liceu, fazer amigos e arranjar uma família rapidamente! Não olhei para o perfil pois, afinal, só ia receber o estudante pelo período de 1 mês! Em setembro chegou o Daniel.

Ainda não tinha acabado o mês e já tinha muito claro que o Daniel ficaria cá em casa até ao fim do programa (26 de junho de 2016). Comecei por lhe explicar que não ia ter dificuldade de se orientar em Castelo Branco porque era uma cidade pequena e era tudo muito perto. Ele respondeu que não ia estranhar porque a cidade dele também era pequena, só tinha 1 milhão de habitantes!!!

O Daniel quando chegou falava bem e percebia português (tinha aprendido antes de vir) e rapidamente fez amigos. A integração na Escola foi fácil e como falava português não teve grandes dificuldades (exceção para a matemática, apesar do esforço) e conseguiu ótimas notas nas disciplinas específicas.

Receber um estudante de outra nacionalidade foi toda uma aprendizagem recíproca. Comi burritos, aprendi a fazer Guacamole; passei a ter um canto na despensa cheio de picantes de todas as cores e sabores! Fiquei a saber que no México não há comboios e a conhecer a cidade de onde vinha “Morelia”. Ouvi falar dos “Tigres” (equipa de futebol) e fiquei a par dos desaires mexicanos na copa América!

O Daniel vinha cheio de vontade de conhecer o mais possível de Portugal. Foi muitas vezes a Lisboa, cidade que ficou a conhecer bem. Também foi a Sintra, Cascais, Coimbra, Porto, Figueira da Foz, Monsanto, Óbidos e Nazaré. Teve oportunidade de experimentar fazer ski.

Fez muitos amigos em Castelo Branco e tem programas todos os fins-de-semana. Aprendeu a gostar de cogumelos, legumes, caldo verde e pastéis de nata. Não consegui que gostasse de frango assado! Ficou adepto do Sporting (não teve outra opção) e assistiu, sempre que pôde, aos jogos no Estádio de Alvalade, equipado com camisola verde e branca.

Entretanto chegou a Maria, que acabou o programa mais cedo por causa dos exames da 1ª fase, do 12º ano. A princípio, estranhos, rapidamente criaram cumplicidade; curioso o facto de o Daniel ter feito muitos amigos que fazem parte do grupo de amigos da Maria.

Pediu para ficar mais um mês e vai-se embora no dia 26 de julho. Foi muito fácil o Daniel integrar-se na família e hoje custa pensar que se vai embora já no fim do mês.

O Daniel chegou cheio de expectativas, cheio de sonhos, regressará mais crescido, mais independente, mais maduro, cheio de novas experiencias; aqui, deixa saudades, mas deixa também “um bocadinho dele” em cada um de nós... Foi uma experiência tão boa que tenho pena que esteja a acabar. Vamos sentir (família e amigos) a falta do Daniel.

Isabel Fonseca | Família de Acolhimento AFS
2016, Castelo Branco




Nunca mais seremos os mesmos e isso é o que a vida tem de melhor! Cada um de nós constrói todos os dias a sua própria felicidade, mas às vezes esquecemo-nos de que essa é uma tarefa diária e inacabada, que depende muito de nós próprios!

Foi assim ao longo dos últimos 9 meses, a Koranut passou a ser da nossa família e deu-lhe um brilho diferente! Construímos juntos a alegria de partilhar as nossas culturas, de compreendermos as nossas diferenças e de evoluirmos juntos! Foi muito bonito e continuará a ser! A Koranut tem agora duas casas e duas famílias no mundo, uma na Tailândia e outra em Portugal!

Alda Pena | Família de Acolhimento AFS
2016, Porto




No ano passado através de uma colega de escola, tive conhecimento da existência do programa AFS. Depois de me informar e saber no que consistia fascinei-me pela ideia de poder acolher um estudante, que quisesse vir para o meu país, do qual me orgulho tanto.

Desde o início a Chanikan foi participativa, simpática, gentil e alegre! Fazê-la conhecer a minha cidade foi um prazer. Com o tempo ela passou a ser um membro da minha família e sempre será. “Adotar” um estudante AFS foi uma das melhores decisões que a minha família permitiu que acontecesse.

Tivemos diversão, alegria e sobretudo a capacidade de aprender um pouco da cultura da Chanikan, que nos ensinava todos os dias a sorrir e de quem iremos sentir sempre saudade, amor e tristeza (na hora da sua partida).

Para quem quiser acolher um estudante posso afirmar com certeza que será a experiência mais alegre, construtiva e divertida de uma vida! Poder realizar um sonho de um adolescente fazendo­o conhecer o nosso adorado País.

A experiência foi tão gratificante que decidimos acolher outro estudante este ano (2016/2017), e vamos acolher com tanto amor e carinho como acolhemos a Chanikan.

Família Belece Bernardo | Família de Acolhimento AFS
2016, Vila Nova de Gaia




Faz um ano que decidimos acolher um estudante da AFS. A escolha não foi fácil, pois muitos candidatos possuíam perfis com os quais simpatizávamos. Após alguma hesitação decidimo-nos pela jovem que achámos que melhor se enquadrava na nossa família: uma tailandesa de 15 anos que gostava de fios de ovos.

Receber em casa uma menina de uma cultura tão diferente da nossa pareceu-nos um bom desafio: não conhecíamos nada sobre a Tailândia e os nossos dois filhos são rapazes. Desde da chegada da Fai que sentimos que todos temos aproveitado muito com a experiência. É excepcional fazer parte do crescimento de um jovem e com isso sentirmo-nos crescer como pessoas e como família.

Inicialmente a Fai era tímida e notávamos que para ela existiam uma quantidade de situações muito diferentes da Tailândia, mas a nossa super menina mostrou sempre determinação em superar as suas dificuldades. Além de simpática, doce, curiosa, divertida e bem-educada, a Fai é muito colaboradora. Na escola a sua integração não podia ser melhor: os colegas de turma mostram-se todos seus amigos e estão sempre prontos a ajudá-la, e os professores, que inicialmente estavam um pouco receosos, estão muito satisfeitos por tê-la como aluna e por sentirem tanta solidariedade/amizade por parte dos colegas.

A nossa filha tailandesa tem um convívio muito fácil com todas as pessoas, revela muito interesse acerca da cultura portuguesa e ocidental, gosta de visitar lugares e monumentos, e, como não podia deixar de ser, adora a nossa doçaria.

Sentimos que ela está muito feliz e muito agradecida por poder viver esta experiência.

A nossa convivência tem sido tão próspera que no próximo ano iremos acolher outro estudante do mundo.

Maria João Coelho, Pedro Pinto, Guilherme Melo e Martim Melo
Família de Acolhimento AFS
2016, Vila Real




Conhecemos a AFS através do jornal de Gondomar, onde vivemos, em notícia de Junho de 2015,e achámos que os seus valores se enquadravam nos nossos, o que nos despertou a curiosidade.

Como vimos que o mesmo apelava à necessidade de famílias de acolhimento, resolvemos explorar melhor este objectivo e valorizámos, sobretudo, a dedicação da AFS à formação de jovens mais libertos de estereótipos, melhor preparados para o Mundo Global.

Sendo a nossa primeira experiência, não quisemos ser muito ambiciosos e decidimos acolher uma estudante Italiana porque já temos algum conhecimento da cultura e hábitos deste povo.

A experiência está a superar as nossas expectativas porque a jovem é muito empenhada e divertida, aposta na sua formação mais liberta de preconceitos, ajudando os jovens lá de casa a seguir o mesmo caminho, tornando-se todos mais audaciosos e sem fronteiras, tal como o Mundo de hoje lhes exige, preparados para enfrentar o futuro em mudança.

Essencialmente, acolher esta estudante foi, para nós, motivo de:

- Podermos alargar os nossos horizontes culturais e afectivos;

- Combatermos as rotinas, diminuindo o nosso comodismo. Nós gostamos de desafios e odiamos o marasmo, a boa disposição da nossa jovem italiana trouxe-nos uma excelente vantagem à diversão de serões e os pratos da cozinha italiana ajudam em muito;

- Participarmos, activamente e fora do conforto doméstico, no Mundo, colaborando com a formação de jovens, incluindo os da família. Os nossos filhos que, inicialmente, tiveram algumas reservas ao "estranho" em casa, acabaram por valorizar a presença desta jovem italiana, passando a repartir mais os momentos e conhecimento, contribuindo para o enriquecimento mútuo, ficando a saber que em Itália não se come apenas pizza e queijo, entre muitos outros factores interessantes e diferentes ...?!

Família Moura | Família de Acolhimento AFS
2016, Gondomar




Em Setembro próximo, pela quarta vez, vamos acolher uma estudante de outra nacionalidade, que viverá um ano lectivo com a nossa família. Depois da Emmely e da Lore, ambas da Bélgica (Flandres), da Franzi da Alemanha, desta vez, teremos a R. a viver connosco. Integrado no mesmo programa de Acolhimento (da associação Intercultura-AFS Portugal) tivemos a visita da Başak e da Ece da Turquia!

Passámos momentos ótimos a trocar experiências culturais, gastronómicas e todo o tipo de curiosidades sobre os nossos diferentes modos de vida. Ah, e a passear mesmo muito! Acolher estas estudantes, tem-nos proporcionado uma experiência muito rica e gratificante, tanto ao nível da partilha de culturas, como também dos afectos.

Ganhamos um novo membro da família para toda a vida!

Paula Gonçalves | Família de Acolhimento AFS
2016, Funchal, Madeira




Toda a minha vida vivi como filha única, sem saber o que significava realmente partilhar o dia-a-dia com um irmão, até que no ano de 2007/2008, a minha mãe decidiu que iríamos acolher um estudante AFS.

Acolhemos a Annie, da Alemanha, esse ano foi um dos melhores anos de sempre! A Annie é até hoje a minha irmã mais velha, a quem eu posso contar tudo e de quem eu tenho muitas saudades nos intervalos das nossas visitas. Cerca de seis meses depois de a Annie voltar para o seu país, fui com a minha mãe passar o Natal com a nossa família alemã, ou seja, a da Annie. Acolheram-nos como se nos conhecessem desde sempre e sentimo-nos perfeitamente em casa. Ainda hoje, sete anos depois, estamos “presentes” nos momentos mais importantes das duas famílias através de fotos, mails, Skype, visitas, etc.

Esta experiência levou-me a fazer o programa na Dinamarca, em 2012/2013, que em nada me desapontou! A minha família de acolhimento é a melhor que vi até hoje, praticamente em pé de igualdade com a minha própria família! Trataram-me sempre como uma filha e, no final do ano, já não sabia qual era realmente a minha casa. E quem me ajudou nesta altura? A Annie! No final do meu ano na Dinamarca, visitei-a na Alemanha, onde ela partilhou a sua própria experiência, agora que eu estava no lugar dela.

Um ano depois do meu regresso, a minha família de acolhimento veio visitar-me. Passámos duas semanas entre Lisboa, o Alentejo e o Algarve, juntei as duas famílias e os meus amigos e foi um dos melhores momentos da minha vida! Era boa a sensação de juntar, finalmente, as minhas casas!

Não há um dia que passe sem pensar na minha família dinamarquesa e é bom saber que é recíproco: adoro abrir o mail e ver uma foto da nossa gatinha com a minha irmã de acolhimento, acompanhada de “Mafalda, já está a ficar calor então cortámos o pêlo à Nelly! Aqui vai uma foto para veres como ficou!”!

Este Verão cá espero outra vez a minha irmã de acolhimento, antes de partir para o seu ano AFS no Brasil, e, em Outubro, teremos a Annie de volta durante mais uns dias! (A última visita da Annie foi em Setembro passado, quando veio almoçar a nossa casa durante a escala do voo de regresso do Brasil, como é pequeno o mundo AFS!)

Testemunho de Mafalda Escada, irmã de Acolhimento de Annie Boehmig
Programa AFS Alemanha-Portugal 2007/2008




Na cabeça da nossa filha, na altura com 14 anos, começou a delinear-se uma enorme curiosidade sobre a experiência de estudar no estrangeiro, isto porque conhece jovens que já o fizeram. Aí surgiu a questão: como é que eles vão estudar para fora de Portugal? Falou-se então da Intercultura, organização que já conhecíamos do programa de intercâmbio escolar dos anos 90 “Outra escola, novos amigos”. Da questão inicial a nossa filha passou à pesquisa na Internet sobre a AFS – Intercultura Portugal e ao desejo de ir estudar para a Holanda. Aí surgiu o senão, como pais achámos que ela era muito nova, que deveria aguardar, crescer. Ela compreendeu, aceitou e começou a ver o tema noutro prisma. E se acolhêssemos um estudante durante um ano?

Aconteceu assim o embrião da nossa segunda filha Beverly.

Desenvolvemos os contactos e trâmites necessários e lá nos decidimos, entre tantos estudantes, pela Beva que se aproximava em idade da nossa filha. Foi o único critério.

O Setembro de 2013 chegou e a expectativa era grande. Guardamos na memória o flash da viagem para casa, na Beira Interior raiana, do primeiro contacto com família e amigos, da festa na aldeia, da primeira ida à escola, enfim as primeiras experiências como novo membro da família.

O processo de aculturação lá foi acontecendo ao sabor do tempo, em casa na escola, no círculo de amigos todos a acolheram e mimaram. Em Novembro a Beverly decretou que a partir dali falaríamos sempre em português. As aulas de PLNM na escola foram decisivas, bem como o apoio individual que a nossa filha lhe deu na aprendizagem do português, em especial na gramática.

A Beverly revelou-se uma estudante determinada, mas, por razões de personalidade, não aceitava com naturalidade as dificuldades que às vezes surgiam na aprendizagem da nossa língua.

Em casa, connosco família, foi sempre muito curiosa, perguntando a razão das coisas, propondo-se conhecer e experimentar coisas novas, das paisagens de montanha às do litoral, a tauromaquia, a gastronomia, o Carnaval…

Na escola adaptou-se e correspondeu a colegas e professores, mostrando especial interesse pelas actividades de Desporto Escolar e chegando a representar o Agrupamento de Escolas de Almeida nos Regionais de Atletismo.

Também, houve alguns momentos críticos, por exemplo quando adoeceu, sentimos realmente que é difícil estar longe da família, porque embora a Beverly fosse muito independente aí ficou um pouco mais frágil. De resto alguns altos e baixos de humor que são tão típicos dos adolescentes, que ora exigem condescendência, ora correcção. Para nós pais foi uma aprendizagem por antecipação, porque só agora é que a nossa filha está a passar por fase idêntica.

O último mês que esteve connosco foi muito cheio de solicitações sociais e completou os dezasseis anos aqui em casa. No fim do mês de Junho fomos levá-la a Lisboa, onde a família a esperava para uma semana de férias em Portugal. Foi difícil, mas, era assim, chegara ao fim o período de acolhimento de 10 meses.

Á distância do tempo de estadia temos a convicção de que foi uma experiência interessante, todos crescemos como pessoas e como família.

Se pudermos sintetizar esta experiência diremos que à “open mind” da Beverly nós correspondemos com “open heart”!

Agora mesmo mantemos contacto regular e esperamo-la para as Férias de Verão!

Família Magalhães | Família de Acolhimento de Beverly Huntemann
Programa AFS Alemanha-Portugal 2013/2014




Carta enviada pelo pai de Acolhimento ao pai da estudante Natalia Hernandez na altura em que a estudante regressou ao seu país de origem.


Caro Daniel,
Permite-me que te fale um pouco da tua Natalia agora que chegou ao fim a estadia dela na nossa casa aqui em Portugal.

Quando, acerca de um ano atrás a nossa filha Filipa teve e ideia de receber uma estudante, todos ficámos muito contentes com a ideia. Como sabes ela não tem qualquer irmã e a ideia de poder comungar do seu espaço vital, o seu quarto e a casa onde sempre vivemos os quatro, pareceu-nos uma desafio muito interessante e um factor novo que podia estimular-nos a todos para nos tirar de um certo conforto preguiçoso.

Ficámos todos na expectativa porque não fazíamos nenhuma ideia de como seria a menina mexicana que a Filipa tinha escolhido da lista de estudantes disponíveis para serem recebidas pelas famílias de acolhimento como a nossa.

Ela chegou e logo percebemos que a Natalia era muito discreta, um pouco tímida e no início naturalmente falava pouco. Era natural que sentisse alguma solidão, num país estranho, vivendo numa família estranha. A escola não correspondeu ao que todos esperámos. O facto de ser a mesma onde o João e a Filipa estudam, deram-nos segurança e a certeza de qualidade de ensino, mas foi um engano. Nas férias de Natal mudou de escola e isso foi muito importante para o seu percurso. Aos poucos foi-se sentindo mais confiante. Os novos colegas foram mais comunicativos e abertos e em casa foi conquistando o seu espaço com naturalidade e harmonia.

Depois tudo foi correndo com o tempo. Os dias foram-se sucedendo e naturalmente a família ganhou mais um elemento efectivo. Procurámos desde o início dar-lhe todo o apoio, fazendo-a sentir-se acompanhada e segura mas sempre respeitando o seu espaço individual na medida do possível e nos limites físicos da nossa pequena casa. Quando nos apercebemos a Natalia passou a ser uma de nós. Isso aconteceu tranquilamente e foi crescendo com toda a naturalidade. Fora de casa as coisas passaram-se um pouco ao mesmo ritmo. As relações com os colegas da escola cresceram e manteve sempre contacto com amigas da AFS fazendo novas amizades.
O tempo correu demasiado depressa e chegou a hora de partir.

Tenho de dizer que na despedida vivemos alguns sentimentos controversos. Ninguém teve vontade de se despedir da Natalia porque ainda não aceitámos que ela não estará connosco mais tempo e ao mesmo tempo estamos muito felizes por ela ter estado na nossa família durante estes meses. Daniel, fica com a certeza que para nós foi muito gratificante comungar o dia-a-dia com ela. Realço a serenidade e simplicidade do seu carácter e a transparência da sua conduta em todos os momentos. Sempre genuína e amável, sempre muito querida com todos…

Talvez tudo isto não seja novidade para vocês, os verdadeiros pais, mas sentimos essa vontade de vos transmitir o respeito e uma certa maneira de estar tranquila e serena e até carinhosa com que a Natalia nos tratou a todos aqui em casa. A sua sensibilidade é muito própria e cativante. Claro que vamos ter saudades dela, muito mais do que pensámos ser possível…

Estamos por outro lado muito honrados e gratos pela oportunidade que tivemos de dar condições para que a Natalia crescesse, desenvolvesse a sua personalidade, que aproveitasse a oportunidade. Temos a certeza que isso aconteceu porque ela fez o seu trabalho, cumpriu plenamente o seu papel e por isso cresceu. É natural que vocês vivam essa experiência mais claramente do que nós daqui para a frente, mas podemos dizer com segurança que hoje ela é uma menina mais autónoma, um pouco mais madura e isso é muito gratificante.

Tivemos sorte de poder ser os pais adoptivos durante este tempo de uma menina linda e isso deve-se a ela, claro, mas muito aos verdadeiros pais que são vocês – mãe e pai biológicos.

A nossa casa estará sempre aberta para a Natalia, para a mãe, para ti e para os irmãos…

Beijos da Isabel e da Filipa e abraços do João e meus…
Sempre, sinceramente
Luís

Família Henriques | Família de Acolhimento de Natalia Hernandez
Programa AFS México-Portugal 2013/2014




A experiência de receber um estudante AFS estrangeiro começou por uma decisão que teve de envolver, forçosamente, todos e cada um dos membros da nossa família. Ninguém ficou de fora.

Assim tendo sido, a primeira grande consequência foi tratar-se de um projecto de toda a família, projecto que dura dez meses, dez meses que não controlamos na íntegra e, sobretudo, que envolvem um projecto de outra pessoa - do estudante AFS.

Trata-se de um projecto de família que une todos desde o momento da decisão de acolhimento até à escolha do estudante AFS em concreto, passando pela vontade de todos irem buscar a nossa «eleita», de todos quererem explicar como vivemos, de como são as pequenas regras e os hábitos da nossa casa, de como é a vida na família, na escola, no bairro, na cidade...

Mas a experiência de receber um estudante AFS passa, obviamente, por termos todos que perceber que o projecto mais importante que se vai desenrolar durante dez meses pertence ao estudante AFS, havendo a necessidade de, sem mudar os hábitos e as pequenas regras da família, tentar proporcionar-lhe uma ambientação gradual, pacífica e natural, que contribua, numa primeira fase, para a sua estabilidade interior e, posteriormente, para uma integração na comunidade familiar, escolar e social.

Já tivemos duas experiências e ambas correram bem embora, por razões culturais e da própria personalidade da estudante AFS, tenhamos tido uma muito maior empatia com a segunda, da qual ficámos verdadeiramente amigos e com quem mantemos um regular contacto.

A verdadeira integração do estudante AFS dá-se quando o passamos a considerar mais um membro da família com todas as magníficas consequências que daí se podem tirar.

No nosso caso, passou a ser a nossa quarta filha, a qual, apesar de já ter ido embora há nove meses, tem a sua fotografia ao lado dos nossos outros filhos na sala.

Já estamos a pensar como a havemos de trazer de volta a Portugal para nos visitar.
Família Moncada | Família de Acolhimento de Valeria Rainero
Programa AFS Itália-Portugal 2013/2014



Sermos família de acolhimento AFS ultrapassou todas as nossas expectativas! Acolhemos a Maria Paula da Costa Rica em Janeiro de 2014 e a estadia, que seria somente até meio de Junho, prolongou-se até quase final de Setembro… e mesmo assim foi muito pouco tempo!

A nossa motivação inicial foi proporcionar uma irmã mais velha à Daniela, a nossa filha com 11 anos na altura, que era filha única e agora tem uma mana mais velha do outro lado do oceano! E ao mesmo tempo proporcionar a uma jovem o contacto com outra realidade, outro país, outra língua. Mas para nós, tornarmo-nos pais de uma rapariga de 17 anos também foi fantástico e muito enriquecedor.

Agora temos duas filhas, a mais velha vive muito longe geograficamente, mas sempre dentro do nosso coração. Desde que partiu em Setembro do ano passado falamos/trocamos mensagens quase todos os dias e acompanhamos a sua vida quotidiana, quase como se ainda vivesse connosco. Mas mesmo assim a saudade é imensa… contudo toda a tristeza que agora sentimos vale bem a pena em troca do privilégio de termos partilhado a nossa vida com a nossa Tica linda!

A Maria Paula tem uma personalidade fantástica, sempre muito divertida, bem-disposta e muito aberta a novas experiências. Adora a gastronomia portuguesa (ai os enchidos e os pastéis de nata!) e apesar das dificuldades iniciais, aprendeu Português muito rapidamente e integrou-se na rotina da família de um modo muito natural. A hora de jantar era sempre recheada de muitas gargalhadas (as da Mari são lendárias!) e as viagens em família – percorremos Portugal de Norte a Sul – foram maravilhosas. É muito interessante vermos o nosso próprio país com outros olhos, partilhar a nossa cultura, a nossa música e a nossa história e ficarmos a conhecer modos de vida e culturas diferentes. Abrem-se horizontes e aprendemos a cultivar a diferença.

Queremos definitivamente repetir a experiência e recomendamos vivamente pois a troca de afetos, experiências e conhecimentos é incomparável.

Família Ribeiro | Família de Acolhimento de Maria Paula
Programa AFS Costa Rica-Portugal 2013/2014



"Ouvi, pela primeira vez, falar da AFS, no ano letivo de 2009-2010, quando uma aluna me referiu ter um irmão Tailandês. Estranhei e interessei-me. A decisão de pretender ter essa experiência foi quase imediata. No ano letivo seguinte estávamos a acolher uma estudante belga, a Sophie Steegmans, num programa trimestral. O critério que mais pesou na seleção do estudante foi o sexo e a idade para dar à minha filha a irmã que ela gostaria de ter tido. E assim foi. Os contactos mantêm-se e os afetos subsistem. A experiência foi de tal modo gratificante que, no ano seguinte, a decisão estava tomada: “Vamos acolher outra menina!” mas, desta vez, num programa anual. Recebemos, como um novo membro da família, a Sofia Baccini, uma estudante italiana. Totalmente integrada na comunidade, frequentou as mesmas atividades, teve os mesmos colegas de turma e amigos, partilhou aspetos culturais connosco e até as roupas da irmã!! Ficou a saudade que as novas tecnologias ajudam a superar. O meu filho está agora a pedir “um irmão”; tê-lo-á com certeza também, talvez para o próximo ano. Entretanto, enviamos este ano letivo, a nossa filha, Maria João, para os EUA e confesso que as minhas angústias quase não existem. Sei hoje como funciona o intercâmbio, sei dos inúmeros apoios que terá se precisar e isso dá-me a tranquilidade necessária para encarar esta ausência apenas como algo fantástico, não como uma, mas a experiência da vida da minha filha!"
Família de Acolhimento de Sophie, Bélgica Flandres, 2010, e de Sofia, da Itália, 2011


"Ter recebido em casa uma menina da Costa Rica foi uma experiência formidável. Só tenho pena que tenha sido durante o 1º semestre, em que choveu o tempo todo e não deu para fazer as viagens planeadas e as visitas desejadas. A nossa Méli é muito positiva, divertida e com uma vontade enorme de viver a experiência. Consegui contagiar toda a família de vontade de conhecer o país dela pois o exemplo que deixou foi fantástico. A Méli fez umas comidas completamente diferentes das nossas, que diga-se de passagem, não foram grande sucesso. Mas levou de cá algumas receitas que adorou e que tentou fazer em casa dela. Não sei o resultado! Já é a segunda vez que fomos família de acolhimento e, mais uma vez, foi uma experiência giríssima de partilha de culturas, de costumes e cozinhados. É óptimo ver os nossos filhos a adotarem irmãos não biológicos, com tanto carinho, amizade, confidencialidade e altruísmo. São contactos, experiências e amizades que ficam para a vida inteira!"
Família de Acolhimento da Daniela, estudante da Costa Rica, 2012


"Nós somos a família Araújo! Vivemos no Porto e entramos nesta aventura por a nossa filha ser “filha única” e sonhar em ter uma irmã mais velha. Apesar ter sido uma das motivações, não foi obviamente a única.  A aventura, a troca de conhecimentos, a vivência com realidades culturais diferentes e a experiência de ter “mais um filho em casa”, representavam um desafio do qual todos queríamos participar. Contudo, consideramos que este tipo de programas funciona se conseguirmos encontrar vantagens para ambas as partes, o que veio a acontecer. Escolher a Molly da Nova Zelândia foi algo muito bem pensado e estudado ao mínimo pormenor. Desta forma, as probabilidades de algo correr mal são mais baixas pelo que, a experiência está a ser um êxito! A nossa filha está muito mais autónoma, já vem sozinha da escola para casa, fala inglês fluentemente, etc.. Por outro lado, a Molly já fala português e está completamente inserida na comunidade que a rodeia. Tem uma família de acolhimento que a adora e lhe proporciona todas as experiências possíveis. A Molly já teve oportunidade de percorrer e conhecer praticamente Portugal inteiro, Zamora em Espanha e Bordéus em França. Mas o mais importante de tudo é que se sente parte da nossa família. Ela é tratada exatamente da mesma forma que a nossa filha. E é tudo tão natural que mesmo nós nos referimos a ambas como “a nossa filha mais nova” e “a nossa filha mais velha”. Para terminar esta experiência, os pais e irmãos da Molly vêm da Nova Zelândia buscá-la a Portugal e vão ficar connosco 1 semana de férias! Incrível, não é?"
Família de Acolhimento da Molly, estudante da Nova Zelândia, 2012-2013


"Apesar de ser um desejo com algum (muito) tempo, só este ano foi possível acolher uma estudante AFS.
A nossa primeira motivação para acolher, no início, foi a de poder proporcionar a um(a) estudante a oportunidade de estudar noutro país que não o seu, numa óptica mais de dar do que receber. Com a entrada da Constanza na nossa família aprendemos que para além de lhe dar novas perspectivas também tivemos imenso a aprender.
A Constanza é do Paraguai, tem 15 anos e com grande facilidade se integrou na escola e melhor ainda na família . Está sempre presente, nunca se isola e "alinha" em todos os desafios.
Temos conseguido horas de rir até doer a barriga a descobrir palavras que se pronunciam igual em português e em espanhol, mas que têm significados tão diferentes, por vezes opostos. Quando comentamos acerca da nossa experiência e o quanto é bom o que estamos a viver a primeira coisa que nos dizem é: " Como são capazes??? Depois ela vai embora para o país dela e vocês vão sofrer..."
Como poderia deixar de viver momentos que ficarão marcados nas nossas vidas para sempre com medo de uma despedida??? As distâncias hoje em dia são tão facilmente encurtadas com as tecnologias que temos à nossa disposição... o fim do programa não é o fim da ligação. Acho que antes pelo contrário!
Porquê valorizar o que se perde e menosprezar o que se ganha? Nós ganhámos uma filha/irmã, ela ganhou uma nova família, ambas ganhámos experiências inesquecíveis... É isso que nós valorizamos!"
-Família de Acolhimento da Constanza, estudante do Paraguai, 2013


"Nunca uma decisão foi tomada em tão pouco tempo, cá em casa ! Quatro dias foi quanto bastou para que todos nos entusiasmássemos perante a perspectiva de acolhermos o Gabriel Abdenur, estudante argentino de 17 anos. Sabíamos, de antemão, que iríamos estar perante outros modos de ser, estar e pensar, mas que todos sairíamos enriquecidos com a experiência. Ignorávamos, por exemplo, que os argentinos fossem tão orgulhosos da sua música, a ponto de preterirem a música anglo-saxónica, facto que não é muito comum em adolescentes; as formas de cumprimento também nos surpreenderam: faziam ideia de que os rapazes se saúdam, na Argentina, dando um beijinho? A partilha entre diferentes culturas muito tem contribuído para que alarguemos horizontes e até nos obriga, de certa maneira, a revermos a nossa história e a nossa posição neste mundo tão intercultural. As expectativas foram, há muito, superadas, o Gabriel é realmente mais um entre nós, não temos dúvidas que deixará, certamente, muitas saudades, pela sua presença bem disposta, pela enorme simpatia, pelo sentido de humor e pelos petiscos argentinos com que nos vai presenteando.
Estamos certos de que este convívio com a diferença faz de nós seres mais tolerantes. Que bom termos “arriscado”!"
-Família de Acolhimento do Gabriel, estudante da Argentina, 2013



"Acolhemos um jovem argentino durante 6 meses.
Foi uma experiência muito importante para a nossa família, pois envolveu a capacidade de todos de receberem e acolherem uma pessoa de fora, com diferenças culturais e hábitos distintos. Mas foi engraçado ver a atitude de cada um de nós para com o Arturo: sempre simpáticos e compreensivos, com uma grande abertura às diferenças, mas ao mesmo tempo encontrando coisas em comum que nos ligassem a ele: Os “irmãos” mais pequenos nos jogos de cartas, computador, etc. Os mais velhos com os amigos, as saídas, o facebook, etc. E os “pais”, com as descrições da Argentina, dos costumes, história e hábitos locais vs. os portugueses. Na Argentina, têm um hábito engraçado de beber um chá como forma de “fazer conversa”. O chá é amargo e bebe-se numa chávena com uma palhinha. Mas ao fim de se provar algumas vezes, é muito bom e de facto proporciona o convívio. Ele gostou muito dos nossos bolos e da simpatia das pessoas. Quando se foi embora sentimos um certo vazio, mas estávamos tranquilos porque ele estaria bem, de volta à Argentina, com a família verdadeira. E agora é sempre uma alegria receber novidades dele, dos pais e irmãos, que tratamos como se conhecêssemos há muitos anos. Trocamos emails às vezes só para desabafar.
São uns amigos novos, distantes mas tão próximos."
- Família de Acolhimento do Arturo, estudante da Argentina, 2012/2013



"Acolher um jovem de outra nacionalidade pareceu-nos um desafio enriquecedor para toda a família e em especial para as nossas crianças, ao verificarem a capacidade de adaptação do jovem com outra língua e as cedências a que o acolhimento obriga, por outro lado vivermos, de certa maneira, a antecipação da adolescência/juventude dos nossos filhos, para nós pais, também é um estímulo…depois coincidiu termos uma cama vaga num dos quartos do nosso apartamento T4. Após uma pré-seleção de 5 jovens, optámos pelo Plácido Salamone, de 16 anos de idade, proveniente da Sícilia Itália, por ser aquele que à partida se identifica mais com a nossa família, pois temos crianças em tenra idade e não queríamos que o choque cultural fosse demasiado forte, assim a língua latina, ser católico, tocador de guitarra nas horas vagas, com perfil estético semelhante ao dos nossos filhos, foram vantagens para recebermos mais um "filho" durante um ano escolar. A adaptação correu bem, mesmo quando, na refeição, juntar no mesmo prato salada com esparguete é um escândalo para um italiano e para nós é normal."
-Família de Acolhimento do Placido, estudante da Itália, 2012/2013



"Somos a família Delgado e temos 5 filhos o mais pequeno com 12 anos. Vimos partilhar convosco a experiência de ser família de acolhimento da Intercultura -AFS.
No dia 9 de Setembro de 2012 recebemos o Dima, um jovem russo de 16 anos que vive na região de Kirov, numa aldeia chamada Leninskaya Iskra. É um mestre no folclore russo, um empreendedor na sua comunidade e um bom aluno. Já tivemos a oportunidade de ver  lindas imagens da sua aldeia, rodeada de montanhas, vales e rios. O Dima está encantado com tantas maravilhas que lhe temos mostrado… É para nós um verdadeiro prazer poder ver todas as belezas que temos para lhe oferecer, com uns olhos novos, porque carregados do encanto de quem vê o oceano ou se atravessa numa onda do mar pela primeira vez. Na segunda semana as perguntas que lhe fazíamos já eram em Português e grande foi o nosso espanto em ter como resposta já pequenas frases em Português.Esta experiência faz com que cada um de nós também potencie as competências do bom viver e em família redescobrirmos que o melhor que temos para dar não custa dinheiro.  O retorno é perceber que a nossa fertilidade de família é uma vocação e que ainda há tanto espaço para o acolhimento e para a ternura.
A nossa família alargada e os nossos amigos já sabem que para todos os efeitos o Dima Delgado já é um dos nossos.”
-Família de acolhimento do Dmitry, estudante da Rússia, 2012


"Poderia descrever numa única frase o que foi o ano em que acolhemos a Nuria em nossa casa: "Foi um prazer" ou "Não me arrependi um só minuto de ter decidido acolher um estudante". A Núria integrou-se de uma maneira espetacular, parecia que toda a sua vida  fez parte desta familia.
Foi uma companhia sempre alegre disponível e companheira. Cumpria todas as suas tarefas e estava sempre presente nas tarefas comuns. Apesar dos seus 15 anos, teve também um papel muito importante de irmã mais velha, da Mariana, a minha filha mais nova, sempre presente, pronta a ouvir, a aconselhar e a oferecer um ombro amigo."
-Família de acolhimento da Nuria, estudante da Argentina, 2010/2011



"Chamo-me Sílvia e soube da Intercultura e do Programa AFS em 1995. Em 1996/1997 acolhi um estudante americano. Em 1997/1998 o meu filho mais velho fez o Programa AFS. Em 1998 acolhi um estudante norueguês durante 2 meses. Em 1999 acolhi um estudante paraguaio durante 2 semanas. Em 2000/2001 foi a vez do meu filho mais novo fazer também o Programa.
Ao longo destes anos tenho também acompanhado diversos estudantes e famílias de acolhimento, como conselheira. Em apoio ao aconselhamento já acolhi temporariamente muitos estudantes, pelo que não consigo fazer-vos um relato exacto das diversas situações.
Por razões logísticas, até ao momento não me tinha sido possível acolher uma rapariga. Agora que todas as condições se reuniram, decidi actualizar a minha ficha de inscrição como família de acolhimento e escolher uma estudante. Neste momento já começámos a trocar e-mails e já começo a sentir que tenho uma “filha”.
Esta situação reaviva as minhas memórias sobre o acolhimento e são essas memórias que quero partilhar convosco.
Estamos em Maio. Os estudantes que chegarão em Setembro já foram seleccionados há alguns meses e têm vindo a fazer a sua preparação para esta experiência radical, que já tem mais de 50 anos de história em dezenas de países no mundo. Desde o início tentam gerir o receio e o entusiasmo em participar. À medida que o tempo corre, cresce a expectativa de saber quem será a sua família de acolhimento. Depois começam a chegar as primeiras colocações; a felicidade dos que estão colocados contrasta com as dúvidas dos que esperam todos os dias pelas informações sobre a sua nova família.
Dos pais de envio nem vos falo! Mandamos a informação sobre o nosso filho e ficamos à espera do veredicto. Quem será a família? Onde é que ele vai ficar? Depois começam os telefonemas dos amigos que conheceram nos campos: Eu já tenho família! …
Pessoalmente conheço as duas situações-limite: o meu filho mais velho foi colocado numa família temporária na semana antes da partida e o meu filho mais novo teve uma família permanente em Maio. Como mãe e como conselheira posso dizer-vos que os contactos pré-partida são muito importantes para começar a estabelecer laços que darão frutos durante todo o ano.
Também como voluntária faço sempre um apelo às famílias para que se decidam atempadamente, quer quanto ao acolhimento em si, quer quanto ao estudante a acolher. A reacção típica das famílias é: mas ainda falta muito para eles virem! Espero que, depois da leitura deste texto que já vai mais longo do que desejaria, ultrapassem as vossas indecisões.
Além disso,agora há muitos estudantes disponíveis e podemos escolher aquele que nos chamou a atenção porque … De que é que estão à espera? Por mim já decidi e a minha filha já ninguém escolhe!"

-Sílvia Fragoso, família de acolhimento e voluntária do Núcleo AFS da Costa Azul